Aos quadrilheiros são atribuídos mais
de 30 roubos, todos com muita violência.

O Centro de Operações Policiais Especiais – Cope – apresentou ontem cinco homens acusados de integrar a poderosa quadrilha de assaltantes, que vinha agindo em Curitiba e Região Metropolitana há vários meses, atacando pessoas no momento em que saíam de agências bancárias. O ex-presidiário Douglas de Araújo, 24 anos, é apontado como o líder do grupo. Ele foi preso na sexta-feira no Jardim das Américas. Também estão atrás das grades, Caio José Cardoso Furtado, 27 anos, Jefferson Andrade da Silva, 30, Nelson Luiz Guidolin Júnior, 37, e Willian Fernandes Diniz, de 29.

Com os acusados foram apreendidas quatro armas: duas pistolas (uma calibre 40 e outra 380), e dois revólveres (um calibre 38 e outro 32). Além de três rádios HT e oito aparelhos de telefone celular. Na frota usada pelos ladrões estavam duas BMW, dois Ômega, uma Mercedes Classe A, um Monza, um Fiat Brava, um Fiat Uno. E ainda cinco motocicletas: uma Suzuki 1.200 CC; duas Honda 500 CC; outra 750 CC; uma 900 CC e 16 capacetes. Ainda com os presos a polícia encontrou vários cheques, dinheiro e munições.

Os cinco negaram qualquer envolvimento nos roubos. Todos foram autuados em flagrante por formação de quadrilha.

Crimes

O delegado Luiz Carlos de Oliveira, titular do Cope, informou que já está trabalhando para identificar a quadrilha há mais de um ano, quando começou a receber queixas de vários empresários e comerciantes que efetuavam saques em agências bancários e depois eram perseguidos e roubados por motoqueiros.

O grupo foi desmantelado no fim da semana passada, graças à ajuda da Promotoria de Investigação Criminal (Pic) e do juiz da Central de Inquéritos, que emitiram mandados de busca e apreensão e mandados de prisão contra os acusados, além de autorizarem escutas telefônicas.

Uma das últimas vítimas foi a mulher de um juiz, que foi ao banco encerrar uma conta corrente. Ao sair da agência com um envelope, ela foi perseguida por motoqueiros que acreditavam que carregava dinheiro. Eles atiraram contra a vítima, mas não acertaram.

“Temos dois casos de latrocínio, que vitimaram duas empresárias: Taciana Ábila, 27 anos, no dia 15 de janeiro, e Ana Valéria Klagenberg, no dia 11 de fevereiro deste ano. Além de onze pessoas que foram feridas durante os roubos”, salientou o delegado Oliveira. “Acreditamos que foram eles os autores dos latrocínios, mas para confirmar vou enviar as armas para exame”, emendou.

Já o assalto praticado contra o proprietário de um posto de gasolina, Eugênio Antonelli, na esquina da Avenida Manoel Ribas com a Rua Jacarezinho, nas Mercês, no último dia 7, a polícia tem certeza quanto a autoria. “A pasta do empresário foi apreendida com eles”, afirmou o policial.. A vítima trafegava vagarosamente, obedecendo o fluxo de veículos na via, no início da tarde daquela sexta-feira, quando uma CB-500, bordô, ocupada por dois homens, parou ao lado. O empresário foi ferido com dois tiros, um em cada perna.

Ação

Oliveira revelou que Douglas foi filmado várias vezes por câmaras do sistema de segurança interno dos bancos. “Ele costumava fazer transações altas e ia nos bancos para escolher as vítimas, depois repassava as características para seus parceiros”, comentou o policial. Ele disse que não pode dizer com certeza o papel de cada integrante do bando, mas acredita que Willian era o garupa da motocicleta, que dava voz de assalto e atirava nas vítimas, e Jefferson o piloto. “Acho que também trocavam de funções”, frisou.

Douglas negou qualquer envolvimento com o crime.Cumpriu pena de dois anos por roubo, em São Paulo, e foi liberado há sete meses. “Vim para Curitiba para poder trabalhar. Lá em São Paulo, devido aos meus antecedentes, o pessoal me perseguia, queria tomar meu dinheiro”, acusou o detido. Ele justificou sua boa condição financeira à compra e venda de carros e motocicletas. “Quanto a freqüentar os bancos, é uma coincidência. Como qualquer pessoa, uso bancos para pagar minhas contas e guardar o meu dinheiro”, argumentou, afirmando que conhece os outros presos e costumava fazer negócios com eles.

Jefferson alegou inocência e disse que também trabalha com compra e venda de veículos. Nelson contou que vende enxovais e estava indo a Porto Alegre com Jefferson, que iria vender uma BMW. Willian, que já tem passagem por tráfico de drogas, garantiu que a polícia está enganada a seu respeito. “Eles vão fazer balística nas armas e não vão constatar nada”, salientou o rapaz. Caio não quis se defender.

Investigado assassinato de empresária

Apesar da suspeita dos policiais do Centro de Operações Policiais Especiais – Cope – de que a quadrilha de assaltantes que agia de motocicleta seja responsável pela morte da empresária Ana Valéria Klagenberg, 40 anos, assassinada no último dia 11 de fevereiro, a Delegacia de Homicídios continua investigando o caso.

O delegado Alcimar Garret, titular da DH, enviou ontem ofício ao Cope para saber como se chegou à conclusão de que o grupo é o autor da morte. “Se realmente for o nosso inquérito está encerrado, mas desde o início, baseado no depoimento de testemunhas, acredito que se trata de uma execução e não de tentativa de assalto”, salientou o policial. Ele disse que também irá solicitar uma das armas apreendidas com o grupo, para fazer exame de balística.

Tiro

No final da manhã daquela terça-feira, Ana Valéria saiu de um do post o de combustível para ir ao banco, mas não chegou na agência. Ela trafegava pela BR-116, com o seu Vectra, placa ANA-9746, quando passou próximo à Loja Havan e entrou na Rua Wilson Feijó, foi atacada. Um desconhecido ocupando uma motocicleta modelo CG a aguardava na esquina, com o motor desligado. Ele puxou a viseira do capacete para enxergar melhor e disparou um único tiro, que perfurou o vidro da motorista e atingiu sua cabeça. Em seguida, embarcou na motocicleta e deixou o local em alta velocidade. Nada foi roubado.