Alto custo das viaturas
é uma das dificuldades.

Dos 26 municípios – incluindo a Lapa, que entrou em 2002 – que compõem a Região Metropolitana de Curitiba, apenas quatro contam com uma unidade do Corpo de Bombeiros. O restante fica sob a responsabilidade do 6.º Grupamento de Bombeiros, localizado em São José dos Pinhais, que também atende outras cidades vizinhas da capital paranaense. Como se não bastasse toda esta quantidade de municípios assistidos pelo 6.º Grupamento, a unidade precisa deslocar, freqüentemente, parte do seu efetivo para operações especiais. Ontem mesmo, 57 bombeiros da unidade seguiram para o litoral do Estado, a fim de reforçar o trabalho da Operação Verão. Para atender a RMC, sobraram, em serviço, apenas 67.

Em função deste quadro, não é raro haver situações nas quais os bombeiros não conseguem atender prontamente os chamados. O problema já atingiu até funcionários da Prefeitura de Almirante Tamandaré, que preferiram não se identificar.

Há menos de um mês este drama também foi sentido por um antigo morador do município, conhecido como “Dino”. A casa dele começou a pegar fogo e imediatamente foi chamado o Corpo de Bombeiros. Esperou, esperou e, quase duas horas depois de assistir à sua casa ser consumida pelas chamas, os bombeiros chegaram. “Se os bombeiros tivessem demorado 30 minutos, que é o tempo normal gasto no percurso entre Curitiba e Almirante Tamandaré, teriamsalvado metade do meu patrimônio”, acredita. “Só restaram as cinzas da minha casa”, afirma inconformado.

A assessoria da Prefeitura conta que este não foi o primeiro, nem o último morador de Almirante Tamandaré a passar pela mesma situação.

O tenente Luiz Alberto de Lima, do 6.º Grupamento de Bombeiros, não confirma que haja um período de espera tão grande por parte dos moradores da RMC, porém, atesta que a presença dos bombeiros é fundamental para garantir agilidade no atendimento. “Onde tem bombeiro, as pessoas são assistidas de modo rápido e eficiente”, informa.

Dificuldade

A afirmação, no entanto, para ser viabilizada na prática, esbarra em questões financeiras e de pessoal. Segundo o tenente, fica a cargo da Prefeitura disponibilizar a infra-estrutura necessária ao funcionamento do quartel. Construção da unidade, aquisição do caminhão de bombeiros e compra de viaturas estão incluídas nesta lista. Para se ter uma noção do volume de recursos necessários, um caminhão de bombeiros custa, em média, entre R$ 150 a R$ 200 mil. “Para muitas cidades é um investimento muito alto”, analisa Lima.

Os municípios que conseguem transpor o impedimento financeiro para ter uma unidade do Corpo de Bombeiros, enfrentam um outro entrave – de responsabilidade do governo do Estado – a falta de pessoal. O município de Colombo vivencia esta situação. Conforme informações da assessoria da Prefeitura, já foram viabilizadas todas as condições para a instalação do Corpo de Bombeiros. Entretanto, o projeto ainda não foi adiante, porque não existe número de bombeiros suficiente para disponibilizar a outro quartel. “Se faltam bombeiros nas unidades já existentes, que dirá para as novas unidades. Este problema atinge o Estado inteiro”, destaca Lima, apontando que a solução para este impasse é a realização de novos concursos. De acordo com o tenente, para três dos quatro municípios que possuem quartel – Araucária, Campo Largo, Fazenda Rio Grande e São José do Pinhais – a solução encontrada foi o remanejamento de alguns bombeiros que pertencem ao efetivo do 6.º Grupamento. Ontem, por exemplo, estavam em serviço cinco bombeiros em Fazenda Rio Grande, oito em Araucária e dez em Campo Largo. Em São José do Pinhais, ficaram os 67, já que a unidade corresponde ao 6º Grupamento. Vale destacar que o mínimo de pessoal necessário para a realização dos trabalhos em um quartel, segundo o tenente Lima, são sete: três para operar o carro de incêndio, outros três para ficar numa viatura e mais uma pessoa responsável por atender as ocorrências, que não são poucas. Em 2002, os municípios da RMC, apresentaram mais de 800 registros relacionados exclusivamente a incêndios. Fora isso, os bombeiros prestam atendimentos envolvendo quedas, afogamentos, agressões, buscas e resgates e acidentes de trânsito.

Projetos

Na avaliação da Secretaria Extraordinária de Assuntos Metropolitanos haveria necessidade de instalar unidades em pelo menos três municípios: Almirante Tamandaré, Colombo e Pinhais. “Estas cidades necessitam de uma atenção maior, devido ao contingente populacional e nós da secretaria estamos intercedendo para acelerar a viabilização destas unidades, sobretudo, em Colombo e Pinhais que já apresentam projetos em andamento”, adianta o secretário, Fernão Accioly. Além da construção destas unidades, Accioly aponta mais uma medida para melhorar o atendimento dos bombeiros aos municípios da RMC: o desmembramento do 6.º Grupamento. “Já está na hora de desmembrar o 6.º Grupamento, porque ele está totalmente sobrecarregado. Só em São José dos Pinhais, os bombeiros precisam cuidar do aeroporto e de quatro distritos industriais”, acrescenta.

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