O novo Conselho da Polícia Civil terá que analisar perto de 380 processos de investigação, que envolvem cerca de cem policiais. A nova composição do conselho, que incluiu representantes do Ministério Público e Procuradoria-Geral, tem a tarefa de dar agilidade e uma solução a processos atrasados e promover a “limpeza” da instituição policial, determinada pelo governador.

O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, abriu a primeira reunião do conselho, anteontem, pedindo empenho dos conselheiros. “Não se trata de caçar bruxas, mas sim de sanear processos que se arrastam há tempos”, disse o secretário. Alguns deles estão sem solução há quase cinco anos.

A grande novidade na composição do conselho é a inclusão de representantes do Ministério Público e da Procuradoria-Geral do Estado. Para o delegado-geral da Polícia Civil e presidente do Conselho, Adauto Abreu de Oliveira, essa mudança trará maior agilidade e transparência aos trabalhos de julgamento. Essa composição foi sugerida pelo governador Roberto Requião e aprovada, junto com o Estatuto da Polícia Civil, pela Assembléia Legislativa, em 10 de maio. Ainda segundo Adauto, todos os delegados já passaram pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

Vinte novos processos foram enviados ao conselho, nessa primeira reunião e terão 60 dias para a conclusão do trabalho. Adauto estima que, no total, cerca de cem policiais serão expulsos da instituição por transgressões disciplinares. “Assim, os policiais honestos terão condições de trabalhar em paz, sem estar sujeitos a suspeitas levantadas pelos maus policiais”, disse.

Dependendo das investigações, o policial acusado pode ser inocentado, suspenso ou demitido. As transgressões mais freqüentes são: concussão (extorsão feita por funcionário público no exercício de sua função), narcotráfico, furto de veículos, uso indevido de armas de fogo e tortura.