A valorização do policial é a meta do novo delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinicius da Costa Michelotto, e do novo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcos Teodoro Scheremeta. Ambos tomam posse hoje.

De acordo com o governador Beto Richa, a determinação é que a PM trabalhe em conjunto com a Polícia Civil. Na Polícia Civil, o maior problema citado por Michelotto é a população carcerária.

“As delegacias têm mais presos que o sistema penitenciário. Também precisamos valorizar a classe do policial civil. Esses são os grandes desafios que vamos tratar junto com o governador e o secretário da Segurança (Reinaldo de Almeida César)”, diz. “Se conseguirmos vencer esses desafios teremos condições para que o policial exerça o seu verdadeiro dever: investigador, ao invés de carcereiro”.

Militar

Scheremeta explica que já existem as figuras do departamento penitenciário e dos agentes penitenciários no Paraná. “A Polícia Militar deve prender e a Polícia Civil investigar, mas para que isso funcione corretamente é necessário reestruturação do próprio sistema carcerário, pois quando mantemos um preso em delegacia cometemos vários abusos. Por que uma cadeia com capacidade para 20 presos abriga 140? Que condições são essas?”.

Na Polícia Militar, Scheremeta afirma que é essencial a contratação de mais efetivo. “Por mais que os governos entendam que é preciso essa contratação, a nossa saída é muito grande. Um policial com cerca de 25 anos de trabalho já está indo embora. Não fica até os 35. Esse preenchimento de efetivo deve ser feito de maneira muito séria”, opina o comandante-geral.

“Existe concurso e um processo de formação que não leva menos de um ano e meio, tanto para policial militar quanto para policial civil. Não podemos colocar qualquer um na rua”.

Para alcançar esse objetivo, no entanto, Scheremeta afirma que é necessário tempo. “Não é em janeiro que as coisas vão mudar. O importante é a vontade para isso acontecer. Existe essa vontade”.

Esforço pra recuperar confiança

Números do suplemento Vitimização e Justiça, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que, no Paraná, 31,8% das vítimas de assalto prefere não procurar a polícia, por não acreditar no trabalho da instituição. Ainda no roubo, 15,7% ficam calados com medo de represálias por parte da polícia.

Para Scheremeta, tais resultados apontam a urgente necessidade de mudança. “Todo mundo fala mal da polícia. Diz que é corrupta, que não presta e que demora para atender. Isso dói na gente. Quando valorizarmos o serviço policial teremos tudo para melhorar”, diz. Segundo ele, a valorização inclui melhores condições de trabalho, respaldo financeiro, bom armamento, coletes, bem como melhorias estruturais.

Atenção

Para Michelotto, no entanto, falta atenção da população. “Aqui não há sequestro, grandes assaltos a bancos e a condomínios. Por que a população do Paraná não valoriza a polícias Militar e Civil quando existe esse resultado? Aqui no Estado o grande criminoso não se instala. Cai em cana, assim como o policial que quer desviar sua função. Os paranaenses devem valorizar seus policiais, pois eles superam grandes dificuldades o tempo todo”.