Depois de uma semana presos, os dois policiais militares suspeitos de matar quatro pessoas na Vila Osternack, Sítio Cercado, no fim de junho, devem ser ouvidos nesta terça-feira (5) na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Os soldados Alisson dos Santos Cszulik, 23 anos, e Michel Diel, 31 anos, se declararam inocentes no dia da prisão. Mas a polícia garante que há indícios da participação deles no crime e também analisa a ligação desta chacina com a do Xaxim, no fim de maio, e que vitimou cinco pessoas. Caso a relação entre os crimes se confirme, a polícia não descarta a existência de milícia formada por policiais militares do 13.º Batalhão para controlar o tráfico de drogas na região.

O delegado adjunto da DHPP, Cristiano Quintas, que preside o inquérito, disse que era para os suspeitos terem sido ouvidos ontem. Mas, por problema de encaixe de horários, o interrogatório foi remarcado para hoje. Ele já tinha dito, na semana passada, que não ouviu os presos no dia da prisão por estratégia de investigação.

O advogado dos policiais, Cláudio Dalledone, defendeu semana passada que as imagens de câmeras de segurança conseguidas pela DHPP não eram claras o suficientes para identificar pessoas ou rostos, muito menos para determinar que as pessoas nas imagens eram Alisson e Michel. Entre outras afirmações, os policiais ainda disseram que atuam em outro bairro e não teriam motivos para estar no Sítio Cercado, conforme afirmaram testemunhas.

A chacina ocorreu no início da madrugada de 30 de junho, numa casa da Rua Jardim Alegre. Os três assassinos chegaram num veículo branco. Um ficou monitorando o movimento na rua e dois entraram para executar Jonathan Pereira Veloso, 29 anos, Jaqueline Garcia da Silva, 33 anos, grávida de seis meses, Kauane Garcia Diaz, 16 anos, e Ailton Garcia Diaz, 14 anos.

Investigações

Quintas disse que o inquérito continua sob segredo de Justiça e não pode falar sobre seu conteúdo. Sobre a relação entre as duas chacinas, ele mostrou que há características comuns que não podem ser ignoradas. A chacina do Xaxim ocorreu exatamente um mês antes da do Sítio Cercado, numa casa da Rua Joaquim Teodoro Portugal. Dois homens entraram a atiraram contra seis pessoas. Morreram Roberto Carlos Mattozo Farias, 46 anos, Mayckon Kuil Inglês da Luz, 30, Sidineia Lima da Silva, 38, Ailson Martins Ferreira, 35, e Murilo Gomes Veiga, 19. A sexta pessoa só sobreviveu porque ficou entre os corpos se fingindo de morta.

O delegado explica que, em ambos os casos, o calibre da arma usada é o mesmo: 380. Mas a DHPP ainda está no aguardo do laudo do Instituto de Criminalística, que dirá se a pistola usada foi a mesma. Também não é descartada a utilização de silenciadores, já que, nos dois crimes, a vizinhança não escutou tiros. A maneira de agir nos dois casos foi muito parecida: a forma como os bandidos invadiram as casas, como executaram as vítimas, com tiros na cabeça, entre outras característica.

A área de atuação dos policiais detidos, o Pinheirinho, também é a região onde morava antigamente a família morta no Sítio Cercado, fica no meio do caminho entre o local das duas chacinas. A família morta no Sítio Cercado teria fugido do Pinheirinho, supostamente para ficar longe dos achaques de policiais, já que a polícia investiga o envolvimento de Jonathan, morto no Sítio Cercado, com o tráfico de drogas.

Milícia

Quintas analisa que, se for confirmado que as duas chacinas tiveram os mesmos autores, ou que em ambas os interesses dos matadores eram os mesmos, ele não descarta a possibilidade que realmente exista uma milícia formada por policiais militares na região, com o objetivo de controlar o tráfico de drogas. Com isto, outros crimes relacionados à quadrilha, que tem como pano de fundo o tráfico de drogas, podem vir à tona, como extorsões e homicídios.,

No entanto, Quintas deixou bem claro que seu objetivo é solucionar os homicídios. “As outras denúncias (sobre milícias formadas por policiais e desvios de condutas) que têm chegado a nós são enviadas à Corregedoria da Polícia Militar”, disse o delegado.

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