Não se pode negar que houve esforço da nossa polícia em esclarecer o caso. Mal aparelhada e com pouco pessoal, até mesmo uma ?máquina da verdade? foi utilizada em busca do assassino. O equipamento, de propriedade de um perito especializado em veracidade, o gaúcho Mauro Nadvorny, foi aplicado em dois suspeitos: a mulher de Pero e um vizinho de Giovanna. Na análise final, o perito concluiu que a jovem – uma das principais suspeitas – não mentiu ao responder todas as perguntas formuladas, inclusive se tinha matado ou participado da morte da garotinha. Já o vizinho, na análise final, teria mentido sobre o caso e aparentemente sabia mais do que estava dizendo. O uso da máquina de tecnologia israelense não tem valor jurídico e a delegada Margareth, a mesma que pediu a ajuda a Nadvorny, decidiu ignorar os resultados. Achou que eram frágeis, mas os anexou ao processo.

Isso também mexeu com a defesa, que passou a reforçar a versão que outros suspeitos deixaram de ser investigados, e levantou os casos.

Tribuna na Justiça foi atrás destas histórias e revela quem foram os personagens coadjuvantes que não apareceram nas páginas desta macabra história. Alguns nomes não serão citados por completo, pelo fato de não aparecerem no processo. (MC e PC)

Dois anos de saudades

Enquanto defesa e acusação se digladiam em busca da verdade, a família de Giovanna tenta uma nova rotina embalada pela dor. Cristina e Altevir venderam a casa no Jardim Patrícia. Com os outros quatro filhos, foram morar em um bairro diferente. O pai mudou de profissão, pois quando trabalhava como marceneiro era Giovanna quem costumava ficar ao seu lado. Hoje ele faz esquadrias de alumínio. Cristina chora sozinha, longe dos filhos, e Altevir prefere não falar do crime. Dos irmãos, Jéssica, de 14 anos, que já era tímida, ficou mais reclusa; Lucas, 13, companheiro de brincadeiras de Giovanna, se fechou e apresenta, às vezes, comportamento rebelde; Bruna, de 6, apresentou problemas de aprendizado e a caçula, Andressa, de 3, não desgruda da mãe e vez por outra pergunta quando a irmã vai voltar.

As roupas de Giovanna foram doadas e só muito recentemente suas fotos voltaram para a estante. A casa onde ela morou foi alugada para o vereador Roberto Carlos da Conceição, que diz que a menina morta é seu ?anjo da guarda?. (MC e PC)

Quem matou Giovanna dos Reis Costa, em Quatro Barras, merece exemplar castigo. No entanto, chegar ao autor (ou autores, como suspeitam alguns) é tarefa que exige dedicação, enorme dose de esforço e muita inteligência. Afinal, está se tratando com um maníaco, um indivíduo sem valores morais e emocionais que pode estar travestido de ?gente boa?, pai de família, e de bom vizinho. Para a polícia, os ciganos são os culpados, porque os indícios assim o apontam. Tanto que estão presos, aguardando julgamento. A delegada Margareth Motta, que figura no rol das testemunhas de acusação, garante estar com a consciência tranqüila.

?Fiz meu trabalho?.

O promotor Otacílio Sacerdote Filho, acompanha o parecer da policial.

A defesa esperneia, como é natural, mas levanta questões que trazem dúvidas ao processo e chamam a atenção. Há perguntas sem respostas; há suspeitos não investigados, há laudos inconclusivos; não há provas materiais. Diante disso, o advogado Cláudio Dalledone Júnior, crê que, através de um recurso que encaminhou ao Tribunal de Justiça e está sendo apreciado por desembargadores, os acusados nem cheguem a sentar no banco dos réus.

Em breve a decisão deverá ser conhecida.

O mais preocupante, no entanto, é saber se novas investigações serão feitas, caso a Justiça decida de forma favorável aos ciganos ou se o Caso Giovanna, como ficou conhecido, estará fadado a ir para o rol dos insolúveis e um monstro assassino continuará à solta, sem punição, podendo atacar novamente.

Qualquer pessoa que tenha informações relevantes sobre o caso, pode entrar em contato com a autoridade policial mais próxima.