Na data em que o crime do Morro do Boi completou exatos seis meses, a Justiça decretou a soltura do ex-vigia Paulo Delci Unfried, 32 anos. Ele estava recolhido no Centro de Triagem II, em Piraquara, por conta do flagrante de roubo e estupro no litoral e foi libertado na noite de ontem.

Paulo estava com arma que matou o estudante Osíris Del Corso, 22 anos, e deixou paraplégica a namorada do rapaz, Monik Pergorari de Lima, 23, no morro, em Caiobá, em janeiro. Porém, não foi indiciado neste caso, que segue em segredo de Justiça.

Quem solicitou o relaxamento de prisão foi o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, que investiga não somente o caso do Morro do Boi, mas também o flagrante de roubo e estupro em Betaras.

A justificativa do Gaeco para a soltura, segundo nota divulgada ontem à noite, é de que as “investigações não comprovaram os indícios de autoria apurados inicialmente”.

Morro

O Gaeco afirma que continua a investigar a confissão do crime no Morro do Boi, que Paulo fez à polícia, e que negou em depoimento prestado em juízo. O Gaeco também comunicou que não pretende mais investigar o crime do Morro do Boi, em si, pois o considera totalmente esclarecido.

Para o MP, o réu do crime em Caiobá é Juarez Ferreira Pinto, 42, que responde por latrocínio (roubo com morte), atentado violento ao pudor e perigo de contágio de moléstia grave contra Osíris e Monik. As investigações dos crimes de roubo e estupro em Betaras também continuam.

Mordaça em todo mundo

Mara Cornelsen

Gaeco investiga em sigilo e impõe silêncio a todos que sabem do caso. Paulo confessou o delito, mas depois, voltou atrás e, perante o Juiz de Matinhos disse que foi torturado pela polícia para confessar. Mas admitiu que a arma do crime é sua, comprada no início de janeiro. Também falou que havia emprestado a arma para um amigo, de nome Célio.

Célio Ferreira Gomes, amigo de longa data de Paulo, morador em Matinhos e viciado em crack, foi encontrado pelo Gaeco e na terça-feira passada prestou depoimento em Curitiba.

Foi acompanhado pela mãe e, depois de ouvido, foi liberado. Não se sabe se confirmou que estava com a arma do crime ou se derrubou o álibi de Paulo. O que se sabe é que foi orientado a sumir por algum tempo e não comentar nada sobre o assunto. Sua família diz que está trabalhando em algum lugar do Litoral, mas não sabe onde.

Dona Rose, mãe de Célio, diz que o filho já se livrou das drogas e é inocente de qualquer acusação. Sobre o Morro do Boi ela só diz que está proibida de falar qualquer coisa. “Tenho um número de telefone dos promotores. Eles disseram que se alguém me procurasse, era para dar o número e não falar nada.”

Tristeza

A família de Paulo também não quer comentar o assunto. A mulher de Paulo e o filho de 8 anos, estão morando com os sogros. Ela decidiu deixar o trabalho de caseira em um condomínio, porque sentia vergonha e quis proteger o filho dos olhares da vizinhança.

Ela negou os boatos de que Paulo a espancava, disse que ele sempre foi um bom pai, e que deverá pagar pelos delitos que cometeu, mas afirmou que o marido não é o “monstro que estão dizendo por ai”.

Quanto aos crimes praticados por Paulo, a mulher disse não acreditar que ele seja o assassino do Morro do Boi, e, a exemplo de promotores e alguns policiais, prefere crer que ele assumiu o crime porque foi forçado.

Antecedentes

Mara Cornelsen

De qualquer forma, estando ou não envolvido no caso do Morro do Boi, Paulo responde por cinco assaltos em Matinhos e Pontal do Paraná, sendo um deles com violência sexual, todos p,raticados este ano.

Ele já respondia por homicídio culposo (matou um homem ao dirigir embriagado ao sair de um bailão no ano passado), cumpriu pena por estupro no interior do Estado e em 2006 foi indicado por porte ilegal de arma. Juarez tem como antecedente criminal tráfico de drogas. Ontem, no final da tarde, o Ministério Público (MP), por meio de sua assessoria de imprensa, informou que Paulo não foi denunciado pelos assaltos.