O terceiro dos quatro acusados de envolvimento na morte do herdeiro da extinta rede de lojas Disapel foi preso pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Sebastião Cândido Gouveia Sobrinho, 54 anos, estava foragido até ser localizado quinta-feira na Vila Centenário, no Cajuru, em Curitiba. Ele é apontado como responsável por contratar e dar fuga ao pistoleiro Ataídes Prestes Lemos, suposto autor dos tiros que mataram Paulo Gustavo de Freitas Turkiewicz, na noite de 1.º de abril de 2003.

Dois acusados já tinham sido detidos e hoje respondem ao inquérito em liberdade: o advogado da vítima, Guilherme Navarro Lins de Souza, 31 anos, indiciado como mandante do crime, e Rogério Juliano Gonçalves, 34, sócio de Sebastião, que teria acompanhado Ataídes no momento da execução do herdeiro da Disapel. Ataídes agora é o único considerado foragido – embora sua real participação ainda não esteja esclarecida. “É muito fácil atribuir um crime a um conhecido pistoleiro foragido da Justiça. Há outras hipóteses a serem investigadas”, disse o delegado titular do Cope, Marcus Vinícius Michelotto.

Trama

De acordo com a investigação conjunta do Cope e da Delegacia de Homicídios, o advogado Guilherme contratou Sebastião – que usava o nome “frio” de José Manoel – para matar Paulo. Sebastião e o sócio Rogério teriam localizado Ataídes em Caçador (SC) para que este praticasse o assassinato.

Dentro de um Citroën Xsara, Rogério e Ataídes teriam aguardado a vítima chegar numa academia de tênis no São Brás, onde tinha partida marcada para as 20h de 1.º de abril. Ele apareceu dez minutos antes e foi abordado pela dupla assim que fechou seu Gol dentro do estacionamento da academia. Paulo foi morto com três tiros, disparados supostamente por Ataídes. Sebastião teria estacionado sua caminhonete Silverado do lado de fora do clube e dado fuga ao atirador.

Guilherme, acusado de pagar R$ 20 mil aos matadores, foi preso pela DH três dias depois do crime. A investigação da polícia apurou que seu plano era manipular o dinheiro desviado do patrimônio restante da Disapel, que em grande parte foi remetido a contas no exterior. As cifras chegavam aos milhões de reais. O advogado ficou preso até 27 de junho passado, quando conseguiu um habeas corpus para responder ao crime em liberdade. Em novembro, ele teve os bens bloqueados pela Justiça a pedido da família da vítima.

Silêncio

Sebastião, que tem passagem pela polícia por apropriação indébita, receptação, estelionato e falso testemunho, não emitiu qualquer declaração à imprensa sobre o caso. “Só falo em juízo”, repetiu. Segundo o Cope, ele não tinha paradeiro fixo e foi preso após várias campanas numa residência do Centenário. Como o inquérito policial está encerrado, ele presta depoimento apenas à Justiça. “Há algumas informações sobre o paradeiro de Ataídes e estamos em seu encalço”, falou Michelotto.