Com as mãos amarradas com corda de varal e tiros na cabeça, um casal foi morto e encontrado na manhã de ontem, numa estrada de chão, no bairro Chácara Águas Claras, área rural de Piraquara, próximo ao Contorno Leste (BR-116).

Chamou a atenção da polícia a mulher estar com grampos de roupa na blusa e o homem, descalço, indicando que foram tirados à força de casa. As vítimas não foram reconhecidas por nenhum morador da região.

Os dois, que aparentavam ter entre 25 e 30 anos, foram encontrados por volta de 7h30, por um morador da região, que disse ter ouvido barulho de tiros, no início da noite de segunda-feira, e de um veículo deixando o local em alta velocidade. Investigadores da delegacia do município levantaram hipóteses para a motivação, que vão de passional a um desacerto comercial.

Dentes

Os soldados Sílvio e Marcelino, do 17.º Batalhão da PM, atenderam à ocorrência. As vítimas foram executadas uma ao lado do outra, às margens da estradinha e de frente para uma chácara, onde cavalos pastavam na manhã de ontem.

A mulher estava com os cabelos pretos crespos medianos cobertos por gelo e a boca amordaçada com uma calça de malha e atrás de sua cabeça havia um pano de prato ensanguentado, que pode ter sido usado para amordaçar o rapaz, de pele branca, cabelos curtos, estatura mediana. Ele teve os dentes da frente quebrados.

Os dois estavam com as mãos amarradas para trás e a mulher tinha cinco prendedores de roupa na camisa. Segundo a perita Maria do Rocio, cada um levou um tiro na cabeça.

Nenhum projétil foi encontrado no local. No bolso da calça camuflada cinza do homem, havia apenas duas notas de R$ 20 e algumas moedas. Ele vestia uma jaqueta cinza quadriculado, blusa verde e preta com listras horizontais, e usava uma aliança de prata na mão esquerda.

A mulher não tinha nenhum anel e vestia calça jeans com cinto cor-de-rosa, blusa verde e uma blusa preta com listras rosa por baixo, tênis brancos e meias cinzas. “Eles foram executados no local e, pelas características físicas, não aparentam ser usuários de droga”, avaliou o soldado Marcelino.

Céu de dia, inferno à noite

Darci Carlos Umbelino (foto), o “Barba”, 56 anos, disse ter escutado os tiros por volta de 19h30 da noite fria de segunda-feira e o barulho de um carro.

Ele já estava deitado e preferiu não sair de casa. “Aqui, de dia é um paraíso. De noite, é um inferno. Não dá pra sair de casa, é perigoso”, contou.

Pela manhã, Darci saiu da chácara onde mora para pegar lenha e roçar o mato e encontrou os corpos.

Ele foi até o posto da concessionária que administra a rodovia e informou o ocorrido.

Darci mora sozinho há 12 anos numa tenda. Depois que se separou da mulher e se distanciou dos filhos, passou a ocupar o terreno, que, segundo afirmou, foi doado pelo ex-proprietário.

Suas únicas companhias são manequins, batizados com os nomes de gente e devidamente vestidos, e seus cachorros pitbull. “Eu cuido das chácaras e planto árvores”, conta Darci, que era alfaiate antes de “embrenhar no mato”.