Casal é acusado de matar rapaz no Cabral

Um casal acusado de latrocínio (roubo com morte) foi preso por policiais militares às 18h de sexta-feira, em uma favela existente próximo da Rua Quintino Bocaiúva, no Cabral. Ricardo Aparecido Vilardo de Souza, 30 anos, ?Paulista?, foragido da Colônia Penal Agrícola, e a namorada dele, Franciele da Silva, 20, a ?Tetele?, eram os suspeitos de torturar e matar com um tiro na nuca o porteiro Adilson da Silva, 23, para roubar o Gol placa AMO-9932, no último dia 22. Ambos foram denunciados anonimamente por vizinhos, que ouviram conversas a respeito do crime e acharam por bem informar a Polícia Militar.

O caso, porém, sofreu uma grande reviravolta. De acordo com informações prestadas durante o interrogatório, ?Tetele? confirmou que o crime teve conotação passional e acusou sua própria irmã, Fabiane da Silva, de ser uma das autoras. Fabiane é namorada de um sujeito conhecido por ?Atleticano?, que tem passagens pela polícia por roubo, mas de vez em quando ela saía com Adilson, que desconhecia seu relacionamento com o bandido.

No sábado passado, o jovem porteiro marcou encontro com Fabiane, que provavelmente armou uma cilada para ele. Ao encontrá-la, foi dominado por ?Atleticano? e seqüestrado. Levado para um barraco da mesma favelinha onde moram os envolvidos, foi torturado e esfaqueado durante muito tempo. Depois foi deixado amarrado e sangrando, trancado no casebre. Fabiane e ?Atleticano? saíram então com o Gol, para dar ?umas bandas? pela cidade. Levaram ?Paulista? e ?Tetele? juntos, para o passeio.

Morte

No dia seguinte, domingo da semana passada, retornaram ao casebre, limparam o sangue de Adilson e o fizeram andar até o matagal, onde o executaram com um tiro na nuca. A polícia já suspeitava que ele havia ficado em cativeiro, porque não havia sangue no local do crime nem no carro.

O Gol, depois de usado pelos marginais, foi levado até a casa de uma tia deles, no Uberaba, que se recusou a guardar o carro em sua garagem, provavelmente supondo que se tratava de um veículo de origem ilícita. ?Atleticano? preferiu então abandonar o Gol próximo de um campinho de futebol, onde foi ?depenado? por terceiros. Na segunda-feira o carro foi guinchado para o pátio do Detran, por estar abandonado. Embora a família de Adilson tivesse tentado registrar queixa do sumiço dele e do veículo, não conseguiu. Por isso não havia informação de que o Gol fazia parte de uma trama de morte.

Via crucis

Na seqüência de erros em que se transformou a investigação do caso, a Polícia Militar teve que cumprir uma verdadeira ?via crucis? para poder entregar o casal em alguma delegacia. Logo após a prisão, por ordem superior, o casal foi levado à Promotoria de Investigações Criminais (Pic) e sofreu interrogatório. A Pic, que não permitiu a entrada da imprensa para acompanhar o trabalho, pediu a prisão preventiva de ?Paulista? e ?Tetele?, mas a Justiça não a decretou.

Sem ter para onde mandar o preso, a Pic determinou aos PMs que o conduzisse à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, porque ?Paulista? tinha um mandado de prisão em aberto. Como nada constava contra ?Tetele? ela foi liberada ali mesmo. Na DFRV os policiais não quiseram recebê-lo, porque, segundo afirmaram, o mandado de prisão já tinha ?caducado?. Pediram então que o levassem ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que nada tinha a ver com o caso e por isso não o recebeu.

Já passava das 5h da manhã, quando finalmente a equipe conseguiu deixar ?Paulista? na Delegacia de Furtos e Roubos (que investigava o crime, pensando se tratar de latrocínio – roubo com morte). Lá foi exigido aos PMs que ?Tetele? também fosse ouvida e eles novamente efetuaram a detenção da jovem para novo interrogatório. E só então ela contou tudo o que sabia, acusando a irmã de ser uma ?sem vergonha? e autora intelectual da morte do rapaz.

Após tudo isso, o casal foi indiciado e colocado em liberdade, com a promessa de hoje retornar à delegacia, para novas informações.

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