O juiz da Vara de Delitos de Trânsito de Curitiba terá que decidir se mantém a autuação em flagrante de Eduardo Vitor Garduze, 24 anos, de triplo homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) ou se reverte a autuação para triplo homicídio culposo (sem a intenção de matar, acidental). A Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran) constatou, ontem, que a advogada Gabriele Empinotti, 23 anos, furou o sinal vermelho. Se a mudança de autuação ocorrer, Eduardo nem irá a júri popular.

Por volta das 4h30 de domingo, na esquina das Rua Alferes Poli e Avenida Silva Jardim, Eduardo bateu seu Ka e no Corsa conduzido por Gabriele. Além da jovem, também morreram a mãe dela, a costureira Lorena Araújo Camargo, 47 anos, e o sobrinho, Igor Empinotti de Oliveira, 9 anos. O noivo de Gabriele, Jackon Adriano Ferreira, 31 anos, ficou ferido.

Semáforo

Durante a formatura de Direito em que a família estava, Jackson, dono do Corsa, bebeu e deu a direção a Gabriele, que não ingeriu bebida alcóolica. Fazia uma semana que ela tinha recebido a carteira de habilitação. Imagens das câmeras de segurança de um comércio, na esquina do acidente, mostram que no momento em que Gabriele passava embaixo do sinaleiro, a 20 ou 30 quilômetros por hora, o sinal mudou de amarelo para vermelho.

Eduardo já tinha causado outro acidente, na esquina da Avenida Silva Jardim com a Rua Cândido Xavier. “O pai de um garçom foi buscar o filho no trabalho e Eduardo teria cruzado o semáforo vermelho, causando o acidente. As testemunhas contam que o rapaz nem desceu do carro e seguiu em alta velocidade”, disse o delegado Rodrigo Brown, da Dedetran.

Testemunha

Um médico, que mora próximo ao local da primeira colisão, declarou, em depoimento à Dedetran, que viu o Ka de Eduardo seguir em alta velocidade pela Avenida Silva Jardim, furando todos os sinais vermelhos, depois da primeira colisão. “Ele estava correndo, tinha furado todos os outros sinais vermelhos e passaria por aquele também, independente de estar aberto ou não”, analisou o delegado, referindo-se à colisão que matou as três pessoas.

O delegado ainda espera o resultado dos exames de alcoolemia feitos em Eduardo e Gabriele. Socorristas do Siate constataram que o rapaz estava embriagado. Também aguarda o laudo sobre as velocidades dos dois veículos. Dentro de dois ou três dias, Brown acredita que o inquérito estará concluído.

Saúde

Eduardo sofreu fraturas no quadril, afundamento de face e perdeu parte do nariz. Ele está internado no Hospital do Trabalhador. Jackson, noivo de Gabriele, está internado no Hospital Evangélico e passa bem.

Indignação total

Uma colega de turma de Gabriele Empinotti, a advogada Sueli Lima, entrou em contato com o Paraná Online para demonstrar sua indignação. Sueli lembrou que, há exatamente um ano, foi a formatura de Direito das duas e que a jovem estava muito feliz com a coincidência de a irmã estar se formando, no mesmo curso, no dia em que comemorava o primeiro ano de formada. “A Gabriele sempre foi uma jovem batalhadora, conseguiu passar na prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) antes mesmo de se formar e também foi efetivada como comissionada no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), onde era estagiária”, conta. O TJPR divulgou ontem em nota que Gabriele era assessora da Corregedoria Geral da Justiça.

Sueli revela que, além de muita tristeza, o clima do velório de Gabriele, do sobrinho e da mãe, estava tomado de indignação. “Todos questionavam o que vai ser da irmã dela, que acabou de se formar, estava toda feliz e agora perdeu o filho, a mãe e a Gabriele”, comenta.