Nos próximos dias, o governo federal vai lançar uma campanha para acabar com o analfabetismo entre os presidiários. Segundo o diretor de alfabetização de jovens e adultos do Ministério da Educação (MEC), Timothy Ireland, a idéia é estimular estados e municípios a criar salas de aula para incentivar a escolarização dos presos. No Paraná, isso já acontece desde 1984. Calcula-se que 80% dos detentos estudam, tendo a oportunidade de terminar até o ensino médio.

Uma pesquisa feita no ano passado, na Penitenciária Central do Estado, pelo Departamento Penitenciário (Depen), verificou que, dos 1.500 presos abrigados na unidade, 20% não sabiam ler e escrever. A chefe da divisão de Serviços Técnicos do Depen, Maria Celeste Pereira, calcula que um índice parecido deve valer para as outras 16 penitenciários do Estado, onde estão encarcerados mais 6.500 presos.

Segundo Maria Celeste, só está fora da sala de aula quem não quer estudar ou quem já terminou o ensino médio. ?Algumas pessoas ficaram muito tempo fora da escola e acham que não vale mais a pena se dedicar aos livros?, explica. Para convencer os detentos a estudar, foi montada uma política de atendimento, que vai desde conversas com psicólogas até oferta de atividades profissionais. ?Alguns trabalhos só podem ser feitos por pessoas com determinada escolaridade?, cita Maria Celeste.

O projeto no Paraná só deu certo devido a uma parceria entre as secretarias de Estado de Justiça e de Educação.