Fábio Alexandre
Imagens da câmara de
segurança não ajudam na identificação de bandido.

A câmera de video da Rodoferroviária, instalada recentemente pela Urbanização de Curitiba (Urbs) para segurança aos taxistas que diariamente sofrem com assaltos, tornou-se uma ?dor de cabeça? para a motorista Cláudia de Lima, 34 anos, e para outros colegas dela. A taxista conta que foi assaltada no dia 13 de setembro e quase perdeu a vida. Porém quando precisou das imagens da câmera para identificar o bandido, a gravação cedida pela Urbs está tão ruim que não é possível identificar nem mesmo os carros parados no ponto. Pior é que na parte que realmente interessa – em que o bandido entra no carro de Cláudia – o DVD entregue pela Urbs paralisa a imagem e só retorna ao normal minutos depois, quando o fato já havia acontecido e outro taxista da fila está pegando outro passageiro.

A câmera foi ?badalada? pelas autoridades municipais, na época de sua instalação, no início de setembro.

Dias depois, Cláudia sofreu o assalto. Até então ela vinha aguardando a investigação da delegacia de São José dos Pinhais para conseguir a imagem, porém decidiu pedir uma autorização do delegado e ela própria foi até a Urbs requerer a reprodução da gravação, para agilizar a identificação do bandido.

?Passei por uma baita burocracia, esperei 15 dias para conseguir a filmagem, e quando o DVD foi entregue veio todo ?truncado?, com imagens péssimas. Quando o assaltante vem vindo em direção ao meu carro, a imagem congela e não aparece mais nada. Falaram tanto da tal câmera, a imprensa toda mostrou o equipamento que não tá servindo para o que realmente deveria servir?, reclama a taxista. Ela conta que, pela deficiência das imagens, o bandido não foi identificado, continua solto e já fez outras vítimas no local. Cláudia ainda se diz desanimada com tanta burocracia por parte da Prefeitura. ?Foi tão difícil conseguir tudo, ofícios, autorizações, uma demora tremenda, que sinceramente nem tive mais ânimo de ir até a Urbs reclamar e pedir nova cópia do DVD, para ver se vinha com melhores imagens?, lamenta a motorista.

Imprevisto deixa investigação lenta

A delegacia de São José dos Pinhais abriu inquérito para investigar o caso do assalto contra a taxista. Cláudia, a vítima, diz que resolveu ajudar para agilizar as diligências e, com uma solicitação do delegado Noel Francisco da Silva em mãos, seguiu até a Urbs para conseguir as imagens, que só foram liberadas 15 dias depois, em 2 de outubro, em péssima qualidade.

De acordo com Cláudia, as imagens foram vistas por uma equipe da delegacia, porém pela péssima qualidade, o processo de identificação do bandido ficou prejudicado. A taxista conta que, o equipamento instalado pela Prefeitura de Curitiba, que seria uma esperança de diminuir os assaltos contra os motoristas que trabalham naquela ponto, de nada adiantou, e ainda deixa os profissionais do volante com mais medo do que antes, pois os marginais sabem que ficarão impunes.

Perigo ?disfarçado? de passageiro

Na maioria dos casos de assaltos contra taxistas, os bandidos se fingem de passageiros. ?Eles apontam armas no meio do caminho, e fazem desviar a rota, ou então assaltam no final do percurso?, explica Cláudia. Sobre seu assalto, ela conta que foi abordada pelo bandido por volta das 22h15. Ele chegou no vidro e perguntou quanto custaria uma corrida até próximo do Jardim Ipê, em São José dos Pinhais. Respondendo o preço, o suposto passageiro disse que estava pegando um táxi porque havia acabado de deixar sua irmã na Rodoferroviária para uma viagem da congregação da igreja, e como estava muito tarde, teria que voltar logo para casa e cuidar de sua mãe inválida. Mesmo achando um pouco cara a corrida, o passageiro aceitou o preço de aproximadamente R$ 45,00 e embarcou.

?Quando chegamos no Jardim Itajubá, ele disse que queria descer ali, na Rua Itajubá. Apesar de a corrida ter dado um pouco mais do combinado, fiz um desconto. Porém em vez de pagar ele me apontou uma arma.

Me tomou a chave do carro e queria me trancar no porta-malas, porém o convenci a me levar no banco de trás, onde fui com uma arma apontada para mim. Ele seguia em direção a um matagal, dizendo que ia me matar porque eu ia contar para alguém. Eu disse que não queria contar nada a ninguém, só queria trabalhar no dia seguinte. Só me salvei porque me joguei para fora do carro. Fiquei toda machucada, porém viva?, relatou Cláudia, que, ao se jogar, foi ajudada por uma pessoa que passava na rua e pensou que ela havia sido atropelada. Ao chegar perto, o assaltante se assustou com o transeunte e fugiu com o carro, encontrado abandonado numa cava, próximo do Jardim Ipê, no dia seguinte. O bandido também levou R$ 140,00, um óculos escuro e dois CDs.