Um ato impensado de um assaltante levou policiais do Núcleo de Repressão Econômico (Nurce) a desbaratar uma das maiores quadrilhas especializadas em roubos de caminhões e de plataformas (usada para guinchar veículos) do sul do País. O grupo foi descoberto após o telefonema de um dos marginais para uma empresa de guincho, que seria assaltada. O bandido forneceu o número do telefone de um comparsa e o esquema foi descoberto pela polícia. Foram presos Rosildo Alves Ferreira, conhecido como "Puxador", 30 anos; Vauderei Alves dos Santos, 22; Aroldo Monteiro, 36; e Ageu Luciano Leal, 26, estão atrás das grades. A polícia ainda procura Cristiano Scheffer Neto, o "Chico", 43, que seria o líder da quadrilha.
O delegado Sérgio Sirino, do Nurce, informou que havia várias queixas de roubos de caminhões que estavam sendo investigadas. A maioria dos veículos eram de empresas que trabalham com entrega de terras e com socorros de veículos. Os bandidos telefonavam para as empresas e diziam que o carro estava com problemas mecânicos e precisava ser guinchado, fazendo com que a vítima fosse até o local indicado por eles. Assim que chegava, o motorista era rendido pelos marginais e mantido em cativeiro até que o veículo encomendado fosse entregue ao receptador. O mesmo acontecia com caminhões de terras.
Telefonema
Sirino disse que os crimes começaram a ser elucidados, quando os marginais telefonaram para uma empresa de guincho e solicitaram socorro. Devido aos inúmeros assaltos contra os veículos, a telefonista foi orientada a pedir para o "cliente" um telefone para contato, para confirmar que a história era verdadeira. Assim que a moça pediu um número para contato, um dos marginais forneceu o número do telefone celular de seu comparsa. Após a confirmação o veículo foi enviado até o local, onde foi roubado e o motorista mantido como refém. De posse do número do telefone do "falso cliente", a empresa repassou a informação à polícia. O celular foi "grampeado" e através das conversas entre os grupos, a polícia conseguiu identificar a quadrilha.
A partir das escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça, a polícia apurou que Rosildo, Luciano e Vauderei abordavam as vítimas, davam voz de assalto e as mantinham como reféns. O contato do trio era Aroldo Monteiro, que tinha ligação direta com Cristiano Scheffer Neto, que revendia as plataformas e as peças dos caminhões. "Cada plataforma custa cerca de R$ 60 mil, enquanto um guincho comum custa entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Outra vantagem para os marginais é que esses equipamentos não tem nenhuma numeração de identificação", salientou o delegado. Ele disse que Cristiano, que é de Blumenau (SC), telefonava para os integrantes do grupo para fazer as "encomendas". Logo depois, o bando começava a agir, atacando as vítimas nos municípios de Fazenda Rio Grande e Mandirituba, ambos na Região Metropolitana de Curitiba. Na capital, eles costumavam abordar as vítimas nos bairros Fazendinha, Umbará e Cidade Industrial.
O delegado informou que, após entrar em contato com as empresas e render os motoristas, um dos integrantes ficava em um matagal vigiando a vítima, enquanto o comparsa levava o veículo para Santa Catarina. Um outro carro dava cobertura, seguindo na frente do caminhão para evitar abordagem policial. "Inclusive eles fotografavam o motorista e o ameaçavam caso fossem denunciados à polícia", salientou o policial do Nurce.
Em seis meses, dez roubos
Segundo dados do Sindicato das Empresas de Guincho do Paraná, nos últimos seis meses, dez caminhões guinchos, com plataformas, foram roubados no Paraná. O vice-presidente do sindicato, Cláudio Andreata informou que esse tipo de assalto resultou no fechamento de três empresas pequenas do setor.
Na ação policial, o primeiro a ser preso foi Rosildo, o "Puxador", no último dia 27 de outubro, em sua casa, em Guarapuava. No dia 5 deste mês, Vauderei Alves dos Santos e Aroldo Monteiro foram presos, no bairro Gralha Azul, em Fazenda Rio Grande, mesma cidade que Ageu Luciano Leal foi preso na última segunda-feira.


