Cherokee com suspeita de
adulteração foi apreendida pelo Gerco.

O despachante João Luís Viana Nunes, acusado de trabalhar para uma quadrilha de roubo de camionetas – que seria liderada pelo investigador da Polícia Civil Samir Skandar, 46 anos -, foi preso por policiais do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) da Promotoria de Investigação Criminal (PIC). No cofre do escritório de João Luís foram apreendidos vários recortes com selos de latarias de veículos roubados e furtados. Ele foi conduzido à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos e autuado por adulteração de sinal identificador.

O delegado Miguel Stadler, do Gerco, informou que João Luís confirmou sua participação e disse que seu “serviço” era agilizar a documentação de alguns carros roubados ou furtados pela quadrilha. A polícia apreendeu duas camionetas, uma F-250 e outra Cherokee, com suspeita que tenham sido “trepadas” (veículo furtado colocado no chassi de um outro sinistrado). Stadler adiantou que Samir – que está lotado na delegacia de Piraquara -, não seria o único chefe do grupo, que também tinha como líderes Luciano Carlos Arruda, mais conhecido como “Porquinho” ou “Lupe”, 23 ; Hércules Lemos da Silva, o “Cabeção” ou “Hércu”, e Paulo Alexandre Prosdócimo, o “Tanaka”, 24. Destes, apenas Luciano está preso.

Roubos

Dos roubos praticados pelo grupo, foi apurado que às 13h45 do dia 10 de setembro, dois homens armados de pistola tomaram em assalto uma Blazer, e no mesmo dia abandonaram o veículo no pátio de um supermercado na Avenida das Torres. Funcionários do estabelecimento desconfiaram do tempo em que o carro permaneceu no estacionamento e acionaram à polícia, que entregou a camioneta ao proprietário. No dia 19 do mesmo mês, o grupo furtou o mesmo veículo, que estava parado em frente a um restaurante no Cabral. Os bandidos viram o carro e como tinham a chave o levaram de novo.

Até agora dez pessoas acusadas de integrar a quadrilha estão presas. Oito delas tiveram mandados de prisão decretados pela Justiça e duas foram presas em flagrante. Estão atrás das grades Luciano Carlos Arruda, César Brunetti, o “Queixada”, de 26 anos; Josenei Lemos da Silva, o “Josi”; Sueli do Rócio Bordejaco, 39 ; Naureceli Carina Silveira, Lucélia de Olivera Correa, Gisele Dilian de Souza e Luciana Dilian de Souza. Todos estavam com prisões decretadas pela Justiça. Já o despachante João Luiz foi apanhado com uma camioneta com chassi adulterado, uma série de selos de chassis e recortes de lataria e teve o flagrante lavrado. O comerciante Ivandro André Weiss, por sua vez, foi preso por porte ilegal de armas (estava com um pistola com o número lixado).

Continuam foragidos os líderes do bando, investigador Samir Skandar, Hércules Lemos da Silva (irmão de “Josi”) e Paulo Roberto Alexandre, além de Edson Carlos Proença, 37 anos, Darci Melo de Almeida, e dois homens conhecidos como Assis e Gilson. As equipes do Gerco continuam trabalhando para localizá-los.

Denúncia

A denúncia contra a quadrilha deverá ser oferecida pelo Ministério Público dentro de dez dias. O promotor Luiz Fernando Ferreira Delazari, que atua na PIC, adiantou que a denúncia deverá ser baseada nos crimes de furto, roubo, crime organizado e homicídio. O último se refere ao assassinato de Pablo da Silva Mesquita, 21 anos, ocorrido no dia 27 de abril deste ano, na Rua Marechal Hermes, no Centro Cívico.