Depois de um ano e seis dias ?morando? no Paraná, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, deixou, ontem de manhã, o presídio de Catanduvas, oeste do Estado, cumprindo determinação anunciada na semana passada pela Justiça Federal do Estado. Ele foi de carro para Foz do Iguaçu, escoltado por nove viaturas. De lá, partiu para Campo Grande (MS) num avião da Polícia Federal o que fez com que o aeroporto da cidade ficasse fechado por cerca de meia hora. Pelo menos 50 homens teriam participado da operação.
Beira-Mar saiu de Catanduvas e passou por Cascavel, cidade vizinha à penitenciária, por volta das 11h de ontem. Era para a transferência ter sido feita anteontem, partindo do aeroporto de Cascavel. No entanto, as condições meteorológicas adiaram em um dia a saída do traficante e feito com que as autoridades decidissem enviá-lo ao Mato Grosso do Sul partindo de Foz. O avião utilizado para levá-lo passou uma noite no aeroporto à espera do preso.
De Cascavel até Foz do Iguaçu foram cerca de duas horas de viagem.
Exclusividade
Quem aguardava para embarcar no aeroporto de Foz do Iguaçu no momento da chegada de Beira-Mar, no início da tarde, teve de ter paciência. Por meia hora, o aeroporto ficou fechado para a partida da aeronave que levou o traficante. Chegou a haver tumulto fora do saguão, já que o espaço foi fechado. Os passageiros que chegavam enquanto os vôos regulares estavam impedidos de operar tiveram de esperar do lado de fora.
Em seguida, Beira-Mar chegou à Base Aérea de Campo Grande e, sob forte escolta, foi levado ao presídio federal da cidade. Lá, ele deve permanecer por um ano, conforme resolução do Conselho da Justiça Federal. Também foi transferido junto com ele o assaltante de bancos Mauri Siqueira, que responde a processo em Cuiabá (MT), mas estava ?hospedado? em Catanduvas. A transferência teria sido por razões administrativas.
Mal chegou à nova casa e Beira-Mar já enfrenta resistência por parte do governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB). O governador ressaltou que vai devolvê-lo ao seu estado de origem, o Rio de Janeiro, ?o mais cedo possível?. Puccinelli disse que soube que o governador Sérgio Cabral (PMDB) também não quer o preso no Rio. ?Ele não quer, mas vai ter de engoli-lo de volta?, afirmou.
No Mato Grosso do Sul, o presidiário responde a processo por lavagem de dinheiro, e em data ainda não revelada será ouvido pelo juiz da 3.ª Vara Federal de Campo Grande, Odilon de Oliveira, na cidade de Amambaí, divisa com o Paraguai.


