Os perigosos assaltos cometidos por duplas de motoqueiros nas saídas de agências bancárias continuam ocorrendo com grande freqüência em Curitiba e estão assustando a população. Ontem à tarde, três pessoas compareceram a DFR para registrar queixa de mais um desses casos. O prejuízo foi de R$ 6.900,00.

Segundo uma das vítimas (que não serão identificadas), ela retirou dois pequenos malotes do Banco Itaú, na Vila Hauer. Saiu do banco e entrou no carro, uma Ipanema, onde dois colegas a aguardavam. Seguiram seu trajeto e quando pararam num sinaleiro na Rua Conselheiro Laurindo foram abordados por dois homens armados de revólveres que, aproveitando que os vidros do carro estavam abertos, deram voz de assalto.

De armas em punho e com capacetes para não serem reconhecidos, os assaltantes ordenaram que as vítimas passassem o dinheiro. Intimidados e sob a mira das armas, passaram apenas um dos malotes.

Demonstrando estar bem a par da situação, um dos marginais atirou para dentro do carro e exigiu que o outro malote também fosse entregue, no que foi imediatamente obedecido. A bala do revólver ficou alojada no volante do veículo. Em seguida, fugiram com a moto passando no meio dos demais veículos que transitavam pela via. De acordo com uma das vítimas, a motocicleta era de grande porte, e estava com a placa virada, o que impediu a identificação.

Na quinta-feira passada, uma mulher também foi vítima de uma dupla de assaltantes utilizando motocicleta. Ela foi abordada dentro do carro, no Xaxim, às 16h30. O garupa da moto parou ao lado dela, apontou a arma e exigiu que passasse a bolsa e o dinheiro. Os bandidos fugiram numa moto CG125 levando, além dos documentos pessoais, R$ 8 mil.

Investigação

Os dois episódios demonstram um dos casos mais comuns de assalto que estão ocorrendo em Curitiba ultimamente. Por sorte, em nenhum dos assaltos descritos houve vítimas fatais, ao contrário do que ocorreu com a empresária Taciana Ábila, 27 anos, que morreu no último dia 15 de janeiro. Ela também foi abordada por dois motoqueiros ao chegar em casa após retirar a quantia aproximada de R$ 100 mil de uma agência bancária no Bacacheri. Mas ao invés de levarem apenas o dinheiro, os assaltantes mataram a jovem com dois tiros.

Todos esses casos estão sendo investigados pela Delegacia de Furtos e Roubos e na semana passada alguns indivíduos que praticavam esse delito foram presos pelos policiais daquela especializada.

Olheiros

Na ocasião da morte da empresária, o delegado Hormínio de Paula explicou o modo como agem esses assaltantes e preveniu a população quanto à retirada de altas quantias de dinheiro do banco. Segundo o delegado, uma pessoa é colocada dentro das agências e trabalha como “olheiro”. Ela presta atenção na movimentação de clientes dentro do banco, principalmente quando se dirigem à tesouraria. É neste local que são entregues aos clientes valores de saques superiores a três mil reais.

O “olheiro” guarda as características da vítima e as repassa para os marginais que estão do lado de fora do banco. Depois disso, a equipe externa segue o “alvo” e pratica o roubo. Normalmente as pessoas envolvidas no sistema de espionagem se alternam para não serem facilmente identificadas.