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Painel do Crime

Autor muda versão ao reconstituir chacina

  • Por Redação O Estado Do Paraná
Os protagonistas da matança voltaram
ao local do crime e mostraram à polícia
como mataram nove pessoas na mesma noite.

Para surpresa da polícia, Marcos Antônio Taverna, 27 anos, mudou a versão da chacina e a ordem em que os crimes foram praticados, durante a reconstituição acontecida às 14h de ontem, na Rua Izabel Capelari Antoniani, 863, no Alto Maracanã. Ele assumiu que executou todos da família de Hélio Duarte e seu cúmplice – Marcos Roberto Jardim Proceke, 26 -, só ajudou a matar o próprio Hélio, 51 anos. No total 11 pessoas foram atingidas por tiros e golpes de picareta, mas duas sobreviveram.

Tranqüilo e não demonstrando nenhum arrependimento, Marcos Taverna parecia estar participando de uma filmagem de cinema. Ele apresentou sua versão dos fatos sem cosntrangimentos, mostrando à polícia como tudo aconteceu naquela sexta-feira que antecedeu o Carnaval.

Conversa

Taverna disse que conversou com Hélio, tomou cerveja e fumou um baseado (cigarro de maconha) antes de executar o plano de morte, que teve início após a chegada de Luciano Damásio, 25 anos, viciado em drogas. Primeiro ele e Proceke renderam todos, amarraram e amordaçaram os adultos. As crianças estavam dormindo no quarto. “Ouvi um choro aqui no quarto, vim para cá e amarrei e amordacei eles também. O bebê estava dormindo e acordou com o barulho da porta que bateu”, contou Taverna, que só poupou uma menina de um ano.

Josiane Borges dos Santos, 29 anos, mulher de Hélio, foi a primeira a ser morta, porque, segundo o criminoso, tentou fugir. Ela levou um tiro na cabeça. Depois foi a vez de Luciano; em seguida Ricardo Aurélio Duarte; Luciane Andrade, 22 anos (mulher de Ricardo, sobrevivente); Teófilo Inácio Pontes, 85 (padrasto de Hélio); Rosa Mendes Duarte, 72 (mãe de Hélio), e Caique dos Santos Duarte, 10 (filho de Hélio, sobrevivente). Todos levaram um tiro na cabeça com exceção de Hélio, que foi morto com dois tiros, um disparado por Taverna e outro por Proceke.

Picareta

Quando chegou a vez das crianças, a pistola engasgou. Taverna apanhou uma picareta, que já estava na casa e bateu contra a cabeça dos filhos de Hélio, Kauã dos Santos Duarte, 4 anos; Kauê dos Santos Duarte, 8, e Renan Alberto Duarte, 14. “Dei neles mesmo”, relatou Taverna friamente, durante a reconstituição, sem explicar direito o porquê da morte das crianças. “Sei lá, estavam aí”, justificou.

Ainda durante o trabalho de reconstituição, Taverna também inocentou o filho de Hélio, Rubens Adriano Duarte, 28 anos, que ele próprio havia acusado de ser o mandante. “Fiz tudo porque tinha muita raiva do Hélio”, argumentou o rapaz. (VB)

Filho de traficante revela detalhes sobre o tráfico

Valéria Biembengut

“Meu pai foi avisado que iria morrer, mas não acreditou.” A frase é de Rubens Adriano Duarte, mais conhecido como “Rubinho”, 28 anos, filho de Hélio Duarte, 51 anos, morto na chacina, ocorrida em Colombo, na noite do dia 28 de fevereiro, sexta-feira antes do Carnaval, quando nove pessoas de sua família, foram brutalmente executadas – inclusive crianças.

Rubens foi apontado por um dos matadores, Marcos Antônio Taverna, 27 anos, como sendo o mandante do crime e está preso. Apesar de não acreditar nesta possibilidade, o delegado Messias Rosa, do Alto Maracanã, solicitou à Justiça a prisão temporária do rapaz por 30 dias.

Rubens contou em detalhes tudo que, segundo ele, seu pai lhe contava sobre o tráfico de drogas, e acredita que foi apontado por Taverna, para ser preso e morto dentro do sistema penitenciário. “Só sobrou eu. Eles queriam toda a família. Mas Deus me tirou de casa naquela noite e vai me tirar desta também”, disse o jovem, que teme pela própria vida e atribui a matança de sua família ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Execuções

O rapaz contou que naquela noite chegou em casa, tomou banho, brincou com seus irmãos e conversou com o pai. “É como se eu estivesse vendo ele aqui. Ele estava fumando um cigarro de maconha e me disse: “Me disseram que o Marquinhos (Marcos Antônio Taverna) está envolvido com o PCC. Aquela droga ( o crack) que vendi para ele, o PCC pegou tudo e não pagou. Falaram para ele eliminar a gente. Senti maldade, mas acho que não é por aí”, recordou Rubens.

Depois da conversa com o pai, Rubens avisou que iria jogar “pebolim”, em um bar próximo de sua casa, e depois iria visitar a namorada que mora próximo de sua residência. “Eu estava lá quando vi um monte de camburão chegando e saí para saber o que estava acontecendo. Quando vi que pararam em frente da minha casa, pensei: mataram alguém. Me aproximei e perguntei para os vizinhos. Eles me disseram mataram toda a minha família”, lembrou Rubens. “Era para eu estar lá também, foi Deus quem me tirou de casa”, afirmou.

Tráfico

Rubens disse que seu pai comercializava drogas desde que ele nasceu. “Acho que já faz mais de 30 anos. Meu pai era traficante, mas era um bom homem. Pode perguntar para os vizinhos. Ele ajudava todo mundo. Mesmo quando foi preso nunca deixou faltar nada em casa”, contou.

O rapaz disse que Hélio cumpriu pena no sistema penitenciário. “Ele passou por todas as delegacias, toda a polícia conhecia meu pai. Mas o negócio dele é tráfico. Foi até acusado de um homicídio, mas nunca matou ninguém”, garantiu. “Nunca aconteceu de não pagarem a droga para ele, coisa grande. Quando era pouca, ele intimidava, tomava as coisas que tinha dentro de casa.”

Segundo Rubens, seu pai controlava o tráfico dentro da Colônia Penal Agrícola (CPA) e na região do Alto Maracanã. “Mataram ele e meu irmão Ricardo (Ricardo Aurélio Duarte, 29), para tomar o controle do tráfico. Eliminaram toda a família para que ninguém assumisse os negócios”, denunciou.

Visita

Em sua narrativa, Rubens revelou que quando Marcos Antônio Taverna, 27, e Marcos Roberto Proceke, 26, chegaram na casa, Hélio achou que iria pagar a dívida. “Meu pai não acreditava que eles iriam eliminá-lo. Certa vez até perguntou para o Marquinhos (Taverna), que garantiu que meu pai era seu amigo. Tanto é que convidou os dois para entrar, tomar cerveja e fumar um baseado. Meu pai não vendia maconha, só crack. Mas era viciado em maconha”, relatou Rubens. “Meu pai nunca iria imaginar que eles matariam todo mundo, inclusive meus irmãozinhos, uns anjinhos”, salientou o rapaz.

Rubens disse que teme pela própria vida. “Tenho certeza que vão me matar. Estou preso na delegacia do Alto Maracanã, quero ficar lá, onde conheço os presos. Eles falaram que quando o Marquinhos (Taverna) passou por ali, disse: “Só falta o Binho. Vou pegar ele, mas não vai ser com as minhas mãos”, frisou Rubens.

Sobreviventes ainda estão hospitalizados

Os dois sobreviventes da chacina, Luciane Andrade, 22 anos, e Caique dos Santos Duarte, de 10, continuam internados no Hospital Cajuru, sob forte proteção da Polícia Militar. O delegado Messias Rosa disse que Luciane levou um tiro na cabeça e, devido ao ferimento, perdeu a visão de um dos olhos. Já o garoto foi atingido por um disparo no queixo, teve o maxilar quebrado e está se recuperando. “Na verdade, eles não receberam alta porque no hospital estão protegidos”, contou o policial.

Caique é filho do traficante Hélio Duarte, 51 anos, e de Josiane Borges dos Santos, 29, mortos na chacina. Luciane era amasiada com Ricardo Aurélio Duarte, 29, que também foi morto, e “trabalhava” com o pai no tráfico de entorpecentes.

Polícia procura o mandante

Apesar da mudança na ordem em que ocorreram os crimes (na primeira versão Taverna disse que havia executado as crianças primeiro, para que o pai sofresse com suas mortes), o delegado Messias Rosa (foto) disse que isso não irá interferir nos trabalhos. “A autoria está elucidada. O Taverna assume que atirou em todos e o Proceke somente em Hélio. O primeiro é o autor e o segundo o co-autor do crime. Agora temos que trabalhar para identificar o mandante”, salientou. “A minha dúvida é em virtude da frieza do Taverna ao relatar os fatos”, afirmou o delegado.

Messias não acredita que Rubens (filho de Hélio) tenha qualquer envolvimento no caso. “Pedi a prisão do rapaz porque ele foi acusado pelo Taverna”, explicou. Segundo o policial, Rubens foi intimado para prestar depoimento na delegacia do Alto Maracanã e compareceu na terça-feira pela manhã, acompanhado de seu advogado, quando recebeu voz de prisão. “Pessoalmente eu não acredito que o Rubens seja o mandante, mas a prisão dele foi decretada por 30 dias e ele vai permanecer conosco esse período. Até mesmo para a sua própria segurança”, argumentou Messias.

Ele não descarta a possibilidade de o mandante ser um presidiário. “Tudo é possível, mas não acredito que o PCC (Primeiro Comando da Capital) esteja por trás disso. Estão utilizando o nome da facção devido à crueldade empregada”, disse Messias.

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