O número de acidentes envolvendo motociclistas vem aumentando em Curitiba, segundo dados do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran). De janeiro a junho deste ano, foram registrados 1.835 acidentes com motos, sendo 1.194 (65%) com vítimas e sete mortes no local. No mesmo período de 2001, foram 1.076 acidentes (quase 80% menos em relação a 2003), sendo 659 com vítimas e dez óbitos no local. Além disso, segundo o BPTran, de cada 1.800 acidentes registrados ao mês em Curitiba, 308 envolvem motocicletas ? quase 17%.

“O que preocupa o BPTran é principalmente o número de vítimas, que vem aumentando”, afirma a aspirante a oficial Débora Cristina Scremin. Em 2001, de janeiro a dezembro, foram 1.360 acidentes com vítimas e16 mortes no local. Um ano depois, o número saltou para 1.773 acidentes com vítimas e 13 mortes no local. “As vítimas fatais não aumentaram, mas a gravidade dos acidentes nos preocupa”, disse a aspirante.

Mais motos

Para ela, o número de acidentes está relacionado ao crescimento do número de motos em circulação, da atividade de motoboys, da frota de carros, no número de pessoas habilitadas e da população em geral. “A maioria dos acidentes – 60% a 70% – ocorre em locais sinalizados, portanto há imprudência por parte do motorista, do motociclista ou do pedestre”, diz.

Para tentar diminuir os riscos, Débora orienta que o motociclista ande na velocidade prescrita na via; use capacete adequado; não avance o sinal vermelho; ande com o farol aceso (independente se de dia ou à noite). Ela lembra ainda que a moto pode ocupar na via o espaço de um veículo normal.

Além disso, o BPTran iniciou no último sábado o treinamento para circulação de motocicletas com segurança. A aspirante explica que as empresas de motoboys estão sendo convidadas a participar. O treinamento acontece nos fins de semana e até novembro a agenda está lotada. Durante o treinamento, são realizadas atividades teóricas e práticas, com noções de direção defensiva, avaliação dos equipamentos de segurança, verificação de irregularidades. É também montada uma pista, por onde os motociclistas têm de passar. “A idéia é educar para que diminua o número de acidentes”, diz.

Contestação

O Sindicato dos Trabalhadores Condutores de Veículos Motonetas, Motocicletas e Similares de Curitiba e Região Metropolitana (Sinatramotos) contesta os números apresentados pelo BPTran e alega que os acidentes envolvendo motoboys, resultando em vítimas fatais, é bem baixo. “Os dados do BPTran englobam todos os tipos de motocicletas. Nossos motoclicistas (motoboys) têm curso de qualificação profissional e não estão nesses índices”, defende o presidente do sindicato, Tito Mori.

Ele anunciou também que o sindicato criará um selo que será utilizado pelos trabalhadores filiados. “O número de acidentes desses profissionais é quase zero”, aponta, sem revelar os números.