A hipótese de que o assassinato do advogado Edson Rebelo, ocorrido no dia 1.º de agosto em Rio Negro, foi um crime encomendado está cada vez mais perto de ser confirmada. O delegado Armando Braga, responsável pela investigação, está a procura do informante da Policia Civil, Jair Martinês, apontado como o mandante da execução. Ele está foragido e tem prisão temporária decretada.

Dois dos três homens que participaram da execução do advogado estão presos na delegacia de Campo do Tenente, município distante cerca de 20 quilômetros de Rio Negro. São eles: Daniel Silva de Abreu, 29 anos e Lourival Elias dos Santos, 42. O terceiro preso, que se identificou como Eduardo Aparecido de Moraes, 28, conseguiu fugir da delegacia na madrugada de domingo. De acordo com o delegado Braga, o nome Eduardo é falso, mas como foram colhidas impressões digitais do detido, em breve, a identificação dele será fornecida.

Investigações

Após as prisões realizadas no mesmo dia da execução a polícia descobriu que Rebelo era alvo de uma investigação particular cujo contratante foi o empresário José Alfredo Rauen. Essa investigação tinha o objetivo de tentar encontrar algum fato desabonador na conduta de vida de Rebelo, pois ele era o advogado de uma cooperativa e estava em constantes disputas com Rauen. Essa disputa ocorria porque a cooperativa – que é administrada por funcionários desde 2000 – era antigamente uma madeireira de propriedade de Rauen, e o empresário estava disposto a recuperá-la judicialmente.

Segundo Braga, para o trabalho de investigação da vida do advogado, o empresário contratou o policial civil Flávio Bonato, lotado na delegacia de Pinhais. Inicialmente Flávio aceitou o serviço e teria recebido uma quantia ainda não revelada para fazê-lo. Como o policial civil arranjou outro trabalho mais vantajoso repassou a investigação para Jair, inclusive com o adiantamento em dinheiro.

Conforme o delegado, algumas vezes o empresário entrou em contato com Jair para saber se ele já havia conseguido descobrir algum “podre” sobre a vida de Rebelo. Como as investigações não evoluíam, Rauen solicitou a devolução do dinheiro. A partir daí, somente a prisão de Jair poderá esclarecer os fatos.

Crime

Até o momento, o delegado Braga sabe, através do interrogatório dos presos, que foi Jair quem forneceu as duas pistolas calibre 380 e o endereço do advogado em Rio Negro. Os marginais contratados para o crime se prepararam durante três dias e tinham a ordem de executar Rebelo. O plano inicial era amordaçar o advogado e levá-lo preso no porta-malas do carro até um local isolado, onde ocorreria a execução. Como o advogado reagiu e a esposa de Rebelo apareceu durante a tentativa de seqüestro, Rebelo foi executado na garagem de edifício onde morava. Quem deu a ordem de execução ainda é um mistério.

O delegado informou também que o policial civil se apresentou na última terça-feira e está detido no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) para averiguação. Jair Martinês é a peça chave para o encerramento do caso e está sendo caçado pelo Cope.