Foto: Átila Alberti

Odair registrou queixa no comando do 17.º Batalhão da PM.

Briga entre marido e mulher culminou em mais uma ação violenta e abusiva por parte de policiais militares. Com os dois braços quebrados, ontem o ensacador de batatas, Odair José de Paula, 28 anos, denunciou a agressão que sofreu no último domingo, depois de discutir com a esposa num bar no município de Contenda.

Segundo Odair, por volta das 23h ele bebia num boteco, na Rodovia do Xisto, quando a mulher dele chegou e provocou um tumulto. Além de quebrar parte do bar, ela também agrediu as amigas do marido que bebiam com ele. Odair convenceu a esposa a voltar para casa, mas o ensacador continuou com a bebedeira. A dona do estabelecimento chamou a PM e o obrigou a pagar o prejuízo causado pela mulher. Depois que os policiais foram embora, Odair ainda queria beber outras duas cervejas que já tinha pago, mas a dona não deixou e apanhou o celular para ligar novamente para a polícia. ?Naquele momento eu quebrei o celular dela e fui embora. Admito que já tinha bebido bastante. Cheguei em casa, discuti novamente com minha esposa e fui para outro boteco?, contou Odair.

Quanto estava no outro bar, os policiais o viram e Odair fugiu correndo. Ele não acatou a ordem para parar e os policiais atiraram, sem acertar o ensacador. ?Quando eles dispararam eu me desequilibrei e caí. Eles chegaram perto de mim e começaram a me agredir com cacetete?, contou Odair.

Levado pelos próprios policiais ao hospital, o médico apenas deu alguns pontos nos braços e pernas. O ensacador passou a noite na delegacia e foi liberado no dia seguinte, depois de pagar o restante do prejuízo à proprietária do bar. Entretanto, as dores não param e só depois de ir por conta ao hospital ele engessou os braços e colocou pinos e platina.

Com hematomas pelo corpo, Odair foi até o Instituo Médico-Legal para fazer exame de corpo de deleito. Ainda ontem ele registrou queixa contra os policiais no comando do 17.º Batalhão. ?Não se admite, quem quer que seja, fazer justiça com as próprias mãos, muito menos se forem policiais. O Estado existe para proteger. Por isso, investigamos com rigor todas as informações que chegam até nós e se a versão de abuso de autoridade for confirmada, certamente os policiais serão punidos?, disse o major Antônio Carlos Fernandes, que responde interinamente pelo comando do 17.º BPM.