O corpo de João de Oliveira foi
encontrado ontem pela manhã,
no barraco onde morava.

O aposentado João Anolaço de Oliveira, 73 anos, chegou a empunhar um facão para proteger a vida, mas o inimigo veio melhor armado e acertou três tiros de pistola na cabeça dele, que morreu no minúsculo barraco em que vivia sozinho, na Rua Joaquina Maria de Souza, Jardim Guarituba, Piraquara. O crime ocorreu entre a noite de sábado e a madrugada de ontem, porém o corpo só foi encontrado às 7h. Ninguém informou à polícia a identidade de quem o matou ou os motivos do assassinato.

Pela porta aberta do barraco de uma só peça da vítima, um vizinho avistou João morto. Ele avisou a filha do aposentado, Edilene Anolaço de Oliveira, 27 anos, que não teve coragem de ver o pai sem vida e chamou a PM. Os soldados Borba e Marques, do 17.º Batalhão, foram até o endereço e observaram João caído junto à entrada da moradia, só de camiseta e cueca. Aos seus pés estava o facão que provavelmente usou numa inútil tentativa de defesa. A corrente que tranca a porta ficou jogada sobre a pia. “Possivelmente ele foi chamado pelo assassino e abriu a porta”, falou o soldado Borba. As cápsulas dos três projéteis que mataram o aposentado sumiram da cena do crime.

Silêncio

O silêncio de moradores a respeito de homicídios é comum no violento bairro. Desta vez, nem sequer o horário dos disparos foi informado aos policiais militares que atenderam o caso. “Por aqui, as informações começam a chegar horas depois”, disse Borba.

A ex-mulher da vítima, Maria Ferreira de Oliveira, 63 anos, contou que João foi lavrador em Mato Grosso e no Norte do Paraná e vivia há cerca de 10 anos no bairro. Moradora de um outro barraco da mesma rua, Maria não mantinha contato com o ex-marido. “Sei que ele bebia bastante, mas nunca ouvi que tivesse inimigos”, falou a mulher, que não tinha suspeitos do assassinato. A filha Edilene afirma não saber se o pai saiu de casa na noite de sábado e eventualmente envolveu-se em alguma confusão. “Faltou luz e dormi cedo”, disse.

O investigador Soccol colheu os primeiros dados do caso e passa a investigá-lo ao lado dos colegas da delegacia de Piraquara.