Enquanto os funcionários do Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba trabalham em condições precárias, a construção do novo prédio, de mais de 6 mil metros quadrados e avaliado em quase R$ 17 milhões, no Tarumã, não anda desde março de 2015. A previsão de entrega era pra dezembro de 2014, mas passou pra março de 2015 e agora é incerta.

O motivo da parada no andamento da construção, segundo um funcionário, que não quis se identificar, seria o embargo por conta de um lençol freático que passa pelo terreno. A Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp-PR) nega a informação e alega que a demora é culpa do ajuste fiscal feito pelo governo do estado no ano passado.

Na Avenida Visconde de Guarapuava, centro de Curitiba, onde funciona o atual prédio do IML, os funcionários trabalham com o que têm. O funcionário contou que quem lida com os corpos e também com os outros trabalhos feitos pelo IML, precisa matar um leão por dia. “Falta material de limpeza, tem um banheiro que está há dois anos sem a descarga e temos que usar o balde de água, o prédio em si está podre e com risco de incêndio, os refrigeradores não funcionam”.

Segundo funcionários, a antiga sede, que tem 40 anos, está sucateada. Foto: Pedro Serapio.

Montanha de corpos

O prédio atual do IML tem 40 anos e os problemas estruturais dificultam o trabalho da unidade, que atende outros 39 municípios. “A câmara fria, onde antes saía chorume, recebe hoje os corpos sem identificação. Isso porque nas geladeiras que funcionam, não há mais espaço pra abrigar tantos corpos”, contou o funcionário.

O problema da falta de materiais é tamanho, que, até a gestão passada, luvas cirúrgicas, usadas para garantir a segurança dos trabalhadores, estavam em falta. “Tínhamos que pedir para hospitais, socorristas do Samu e posto de saúde, porque quem trabalha sem luva? Mas agora, com este problema não sofremos, pelo menos por enquanto”.

Servidores da unidade dizem que “matam um leão por dia”.
Foto: Pedro Serapio.

Viaturas

As viaturas usadas pra recolher os corpos em locais de crime e também em hospitais são as mesmas há alguns anos. Recentemente, os veículos passaram apenas por uma reestruturação na parte visual e receberam novos adesivos, mas somente isso, segundo o funcionário.

“Sem contar que os motoristas não têm permissão pra usar colete à prova de balas que estão no auditório do IML, ou seja, se alguém levar um tiro, morre”, disse o rapaz. Segundo ele, a autorização de uso dos coletes é apenas pra os funcionários do Instituto de Criminalística.

Sesp diz que obras são “prioridade”

O médico Alexandre Gebran Neto, chefe da divisão técnica do interior, nega que o IML de Curitiba passe por problemas. “O banheiro citado, por exemplo, foi lacrado e está desativado”.

De acordo com Gebran, as geladeiras funcionam normalmente, mas os corpos têm sido mantidos na câmara fria por ser mais seguro e nega que a capacidade esteja esgotada. “Acontece que os corpos sem identificação precisam de autorização da Justiça para o enterro. Dependemos desse trâmite, que geralmente demora”, explica.

Quanto ao uso dos coletes à prova de balas, Gebran esclareceu que nenhum dos int,egrantes da Polícia Científica do Paraná, que inclui o IML e o Instituto de Criminalística, deve usar o equipamento. “Entendemos que não seja necessário, uma vez que a nossa função é extremamente cientifica, precisamos apenas armazenar provas pras investigações policiais. Nunca houve registro de atentado”.

Obras

Sobre as obras de construção da nova sede, a assessoria de imprensa da Sesp-PR informou que continuidade é uma das prioridades pra 2016 e que só está parada devido ao ajuste fiscal do governo. De acordo com a secretaria, a abertura do orçamento do Estado está prevista pra próxima semana, quando deverá ser feito um empenho pra sanar débitos com a empresa responsável pela construção.

Obra milionária já devia ter sido entregue. Foto: Pedro Serapio.