O ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho recebeu alta do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no último sábado. O ex-parlamentar estava internado para se recuperar do acidente automobilístico em que se envolveu no dia 7 de maio, em Curitiba.

Ele recebeu alta um dia antes do acidente completar um mês. O fato aconteceu no bairro Mossunguê e deixou duas vítimas fatais: Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo Almeida.

A assessoria de imprensa do Albert Einstein não soube informar o horário da alta, tampouco as condições físicas de Carli Filho. A reportagem de O Estado procurou a assessoria do ex-deputado, mas não conseguiu contato.

A reportagem também entrou em contato com o deputado Plauto Miró (DEM), tio de Carli Filho. Ele informou que não conversou com os familiares de Carli Filho no final de semana, mas que faria isso ontem à noite.

“Eu fiquei sabendo da alta dele pela imprensa. Mas já posso adiantar que ele vai permanecer em São Paulo para continuar recebendo atendimento médico”, comentou Miró.

Ontem à tarde, o advogado da família de Gilmar e Cristiane Yared – pais de Gilmar Rafael, Elias Mattar Assad, foi à Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba (Dedetran) para protocolar uma petição, solicitando o indiciamento de Carli Filho, além de um interrogatório.

Se por acaso esses procedimentos não ocorrerem, Assad vai pedir a prisão preventiva do acusado. “Um mês se passou e ele ainda não foi indiciado. Que a polícia decida dia e hora para o interrogatório, que mande as intimações para os endereços conhecidos do ex-deputado. Se por acaso não encontrá-lo, que seja pedida a prisão preventiva. Estamos na data limite entre ele ser classificado como um foragido ou não foragido. De praxe, todo advogado criminalista deveria apresentar o seu cliente”, afirmou Assad.

O delegado da Dedetran, Armando Braga, não foi encontrado por Assad. A reportagem telefonou para ele ontem, mas também não conseguiu contato. Indagado sobre o fato do delegado ainda não ter tomado as providências para ouvir o ex-deputado, Assad afirmou que Braga tem que dar explicações.

“Acredito que ele tem que ouvir sua própria consciência”, disse o advogado. Na semana passada, Braga informou que deveria pedir mais 30 dias para a conclusão do inquérito. Ele também informou a O Estado que estava estudando a melhor maneira de proceder o interrogatório de Carli Filho.

O inquérito sobre o acidente está nas mãos do Tribunal de Justiça (TJ), que deve encaminhá-lo para o juízo de primeiro grau, uma vez que Carli Filho não é mais deputado e já perdeu o foro privilegiado.

Até então o inquérito era acompanhado por um promotor designado pela Procuradoria Geral de Justiça, que pediu na semana passada o encaminhamento do processo ao juízo de primeiro grau. Com o encaminhamento, o inquérito passa a ser acompanhado por um novo promotor.