A divulgação de uma gravação telefônica pode mudar o rumo das investigações do assalto ocorrido no dia 14 de maio, no posto de combustíveis situado na esquina da Avenida Sete de Setembro com a Rua Desembargador Westphalen, no centro de Curitiba. Naquele dia, a funcionária do posto, Patrícia Cabral da Silva, 22 anos, (grávida de cinco meses) foi baleada na barriga por um dos três bandidos que assaltaram o estabelecimento. Ontem, o advogado José Carlos Veiga, que defende dois dos três assaltantes, entregou uma gravação à imprensa, onde, supostamente, Patrícia estaria conversando por telefone com um dos assaltantes. A conversa dá a entender que ela teria participado do assalto. Entretanto, a veracidade da gravação só poderá ser constatada depois que a fita for devidamente submetida à perícia. Até que isso aconteça, Patrícia continua a figurar apenas como mais uma vítima do crime.
Dias depois do assalto, policiais da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) prenderam três criminosos, que foram reconhecidos por Patrícia e por um frentista do posto. Entretanto, depois a polícia descobriu que os três eram inocentes e chegou até os verdadeiros criminosos: Márcio Leandro Resende, 23, Luís Carlos Cândido, 31, e Sidimar Tiago Oliveira, 26.
Segundo o advogado de Sidimar (que atirou na atendente) e Luís Carlos, foi Patrícia quem planejou o assalto. ?Ela foi a mentora intelectual. Meus clientes e Márcio sempre iam beber cerveja no posto. Ela propôs o assalto e disse qual era o melhor horário para cometê-lo. Contou que havia cerca de R$ 60 mil no cofre e que em troca só queria ser baleada de raspão na barriga, para depois pedir uma indenização de R$ 150 mil aos seus patrões. Acontece que ela se virou na hora (no momento do tiro). Eles não sabiam que ela estava grávida?, disse o advogado.
Para comprovar a participação de Patrícia no plano, José Carlos Neves instruiu quais perguntas Luís Carlos deveria fazer à atendente, e o orientou a gravar a conversa. A fita será entregue amanhã ao delegado Rubens Recalcatti, titular da DFR, que já adiantou que apenas depois da perícia e do confronto das vozes poderá tomar alguma providência. Ontem, Patrícia não foi encontrada pela reportagem de O Estado. Na sexta-feira, porém, em entrevista ao repórter da RIC, Luiz Andrioli, Patrícia negou ter conversado com o bandido pelo telefone e desafiou alguém conseguir provar que a voz era dela. Dos três envolvidos no assalto, apenas Sidimar está preso. Patrícia ainda se recupera do parto. Ela deu à luz a uma menina, no último dia 20.



