Um adolescente, de 15 anos, se apresentou no Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) na manhã desta sexta-feira (29) e confessou ser o responsável por uma página no Facebook que mantinha imagens de adolescentes nuas e seminuas em poses eróticas. O delegado Demétrius Gonzaga de Oliveira informou que os equipamentos do garoto estão com a polícia e pessoas que enviavam as fotos que abasteciam a página poderão responder pelo crime.

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De acordo com o delegado, a página funcionou por pouco tempo, no início deste ano, e desde fevereiro o Nuciber iniciou investigação para chegar aos responsáveis. “O adolescente usava várias ferramentas para tentar despistar a polícia. Tentou mascarar o IP (endereço eletrônico), usava um site no exterior, mas ‘caiu do cavalo’, porque possuímos formas de identificar o equipamento”, explicou.

Pais

O adolescente compareceu ao Nuciber acompanhado dos pais. “Os jovens esquecem que a tecnologia que usam está instalada no nome dos pais, que correram para a delegacia esclarecer o que ocorria, antes que fossem responsabilizados’, ressaltou o delegado. Os pais disseram que não sabiam que o garoto mantinha a página. “Eles estavam revoltados, visivelmente inconformados”, comentou.

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O adolescente assumiu autoria exclusiva da página e disse que as fotos eram enviadas para ele por e-mail. Ele afirmou que não conhecia as “modelos”. Em alguns casos, as garotas eram identificadas e recebiam comentários difamatórios. “Quem estiver participando disso, alimentando esse tipo de rede, vai responder junto. Com a coleta dos equipamentos que o garoto usava (três HDS, dois pendrives e um aparelho celular), quem conversava com ele e fornecia imagens será identificado e, se for adulto, pode responder por pedofilia”, disse Demétrius.

Perigo

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O delegado destacou a importância de os pais conscientizarem os filhos dos perigos de enviar fotos pessoais. “Os pais devem aconselhar os filhos para que não adotem essa prática, porque eles não têm ideia de quem está efetivamente recebendo esse material. Pode ser um psicopata, um estuprador, um assassino. O sujeito pode vir atrás”. Ele ressaltou que o “dano virtual é incurável”, pois o conteúdo exposto na internet hoje pode voltar à tona anos mais tarde. “Qualquer um que tenha a imagem pode voltar a lançá-la em uma fase em que a pessoa esteja pegando um bom emprego, por exemplo, e prejudicá-la”, alertou.