Foto: Átila Alberti/Tribuna
Juarez tem vários homicídios nas costas e queria matar até a mãe.

A única sobrevivente da chacina ocorrida em Piraquara, no início deste ano, voltou ontem para os braços da família. Michele, de apenas 1 ano e seis meses, foi levada para o Paraguai, em maio, por Juarez Pedreiros Mascarenhas, 39 anos, depois de ele ter assassinado os pais e as duas irmãs da criança. Preso na última sexta-feira, em Assis Chateaubriant, Juarez chegou anteontem em Piraquara, onde deverá permanecer preso sob acusação dos crimes de homicídio e subtração de incapaz.

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Iran Joaquim Pereira da Silva, 61 anos; tio de Juarez, e Joana de Pádua Melo, 37, foram mortos com as filhas da mulher, Angélica de Pádua Melo, 7 anos, e Emanuele de Pádua Mello, 3, em janeiro deste ano, mas seus corpos só foram encontrados em maio, enterrados no quintal da casa onde a família morava, no Jardim Holandês. Depois dos crimes, Michele foi levada por Juarez para o Paraguai.

Lá ele morava em uma chácara, na localidade de Santa Rita, com a esposa, a criança e três filhos do casal.

Na última sexta-feira, ele voltou sozinho para Assis Chateaubriant, onde foi preso. ?Juarez voltou para matar a mãe, mas como a cidade é pequena, os moradores que o viram avisaram a polícia e ele foi preso antes de encontrar a mulher. Ele queria matá-la porque ela o ?dedurou? à polícia?, contou o delegado de Piraquara, Hertel Rehbein.

Bêbados

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Na delegacia o criminoso confessou ter assassinado a pauladas Iran e Joana, mas negou ter participado das mortes das duas crianças.

Ele contou que assassinou o casal na cozinha, enquanto Gilberto da Silva, 26, conhecido por ?Beto?, matava as meninas no quarto, da mesma forma. ?Nós estávamos bêbados?, justificou, negando qualquer motivo para os crimes.

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O delegado não acredita na versão do acusado, mas não descarta a possibilidade de Gilberto ser conivente com os homicídios. ?Gilberto ficou com a casa da família em Piraquara e, em troca, deu uma chácara no Paraguai para Juarez, onde ele estava escondido?, disse o delegado. Apesar de não haver provas contra Gilberto, a polícia estranha o fato de ele ter deixado Piraquara, desmontado a casa e a levado para outro lugar.

Criança

Depois que Juarez foi preso, as tias de Michele e parentes da mulher dele, que também moram em Assis Chateaubriant, custearam a volta delas para o Brasil.

De acordo com o delegado, todos viviam no país vizinho sob ameaças de Juarez.

Nos próximos dias serão coletadas amostras do sangue de Michele, para submetê-las a exames de DNA. O objetivo é identificar oficialmente Irã, pai da menina. ?Através do DNA foi possível identificar os corpos da família dizimada. Porém, como os pais de Irã são mortos e Angélica e Emanuele eram filhas apenas de Joana, somente através do DNA da Michele poderemos identificá-lo. Além disso, resta a suspeita de a menina ser filha de Juarez e, por isso, ele a teria poupado e fugido com ela?, disse o delegado.

Próximo alvo do monstro seria a própria mãe

Juarez Pedreiros Mascarenhas,39 anos, responde a 17 processos criminais – quatro por assassinatos, três em Assis Chateaubriand e outro em Toledo. O primeiro crime ocorreu em 1992, e a vítima foi um vendedor de peixes. ?Na ocasião, ele retirou o sangue do homem, bebeu e pintou as paredes da casa dele. Juarez foi denunciado pela própria mãe, por isso queria matá-la para vingar-se. Porém a polícia o prendeu antes que consumasse o plano?, disse o delegado Hertel Rehbein.

Depois disso, ele matou outras pessoas e foi preso pela polícia local, cumprindo 14 anos e seis anos de prisão. Juarez fugiu duas vezes da cadeia local e foi removido para a Colônia Penal Agrícola, em Piraquara, de onde escapou no ano passado.

Depois de cometer a chacina, o acusado ainda assassinou Renato Quebec, conhecido como ?Scoby-Doo?, 27 anos. Foi então que Gilberto da Silva, 26, o teria ajudado a fugir para o Paraguai.

Juarez será encaminhado ao sistema penitenciário de Piraquara, onde deve ficar isolado. ?Ele é um facínora e os presos não vão admitir sua presença na cadeia e tentarão matá-lo. Juarez sabe que corre risco e por isso nega as mortes das crianças?, finalizou o delgado.