GUADALAJARA, México, 28 (AE) – O presidente do conselho de ministro da Espanha, José Luis Rodriguez Zapatero, aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para visitar o Brasil durante um café da manhã no hotel Camino Real. O líder espanhol concordou, também, em associar-se ao Brasil, França e Chile e passar a ser parte do núcleo de países que lançaram uma iniciativa internacional contra a fome. Zapatero participará, assim, de reunião do grupo marcada para a sede das Nações Unidas em Nova York, no dia 20 de setembro, véspera da abertura da assembléia geral da organização. Junto com Lula, com os presidentes da França, Jacques Chirac, e do Chile, Ricardo Lagos e com o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, Zapatero passa a integrar o que ele mesmo chamou de “Quinteto Contra a Fome”. A expressão foi cunhada pelo chefe do governo espanhol em discurso recente, no qual manifestou o desejo de a Espanha se afastar do foco do Iraque e associar o país a uma iniciativa internacional mais edificante.

Lula propôs também a Zapatero que Madri seja sede permanente de um secretariado da Cúpula América Latina, Caribe e União Européia. O líder espanhol ouviu com agrado a idéia e mas disse que terá que fazer consultas com outros países antes de assumir uma posição a respeito.

Lula pediu ainda ao líder espanhol que ajude o Brasil a obter um maior acesso dos produtos agrícolas do Mercosul à Comunidade Européia, agindo sobretudo junto à França, que resiste a uma maior liberalização nas negociações do acordo comercial Mercosul-UE. O presidente insistiu neste ponto também no encontro que teve com o presidente da Comissão Européia, o italiano Romano Prodi.

A conversa de 45 minutos com Zapatero incluiu também uma breve troca de impressões sobre o Iraque. Mas os dois líderes demoraram-se mais no exame da situação no Haiti. Lula pediu que a Espanha participe, junto com o Brasil, a Argentina e o Chile, da operação de estabilização do miserável país caribenho, enviando tropas. Zapatero, que acaba de retirar os soldados espanhóis do Iraque, revertendo decisão do governo conservador que substituiu há menos de dois meses, disse a Lula que o presidente Lagos, do Chile, já lhe havia feito o mesmo pedido, em visita a Madri no inicio desta semana. Segundo seu porta-voz, Zapatero afirmou que sua “cabeça está se abrindo para a idéia”. Se decidir contribuir para a operação de pacificação do Haiti, a Espanha provavelmente enviará pessoal de sua Guarda Civil, a polícia nacional do país.

Além de participar da parte cerimonial da Cúpula e de falar numa mesa de trabalho do evento sobre coesão social, Lula teve um total de oito encontros bilaterais hoje em Guadalajara. Depois de Zapatero, Chirac e Prodi, ele conversou com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, com os presidentes do México, Vicente Fox, da Bolívia, Carlos Diego Mesa, do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, e da Guatemala, Oscar Berger Perdomo.

Pretendia ainda avistar-se com seus colegas da Polônia, Aleksander Kwasniewski, da Hungria, Péter Medgyessy, que pediram encontros. Por causa do cansaço acumulado durante a viagem à China e da agenda intensa de hoje, o presidente não participou da sessão final nem da entrevista coletiva de encerramento do evento, como estava previsto, nem do jantar oferecido pelo presidente mexicano, que convidou a todos para festejar a amizade entre os povos da América Latina, Caribe e Europa tomando tequila, a bebida local. Lula abreviou em cinco horas sua permanência no México e iinicou a viagem de volta a Brasília no início da noite de hoje.