Wilmots, sempre ele. Em campo, infernizou Roque Júnior, Edmílson e Lúcio. Fez um gol absolutamente legal no primeiro tempo, anulado pelo árbitro, e ainda deu um trabalho enorme ao goleiro Marcos. Fora de campo, inconformado com as circunstâncias da derrota, foi até o vestiário do árbitro e só saiu de lá após conseguir uma confissão do jamaicano Peter Prendergast: o gol da Bélgica foi legítimo. ?Ele mesmo me disse que se equivocou naquele lance. Vendo o teipe, após a partida, reconheceu que não fiz falta alguma no jogador brasileiro?.

Só após ouvir a confissão do árbitro, Wilmots sossegou. Foi um dos últimos belgas a aparecer na zona mista. Porém, um dos que mais falou com os jornalistas. Não foi uma entrevista insossa, como a de seus colegas da time. Wilmots bateu forte nos zagueiros brasileiros de uma forma geral. ?Quase me arrebentaram o nariz, de tantas cotoveladas que recebi?, afirmou a um grupo de meia dúzia de jornalistas belgas.

Apesar da derrota, Wilmots também saiu do estádio tão satisfeito como o seu treinador. Passou a maior parte do tempo dizendo que a Bélgica poderia até ter eliminado o Brasil se o primeiro gol não fosse anulado. ?Aquele gol (anulado) foi determinante no resultado da partida?. Disse ainda que a sua equipe conseguiu mudar a ordem natural das coisas em determinados momentos da partida. ?A Bélgica provou na prática que não tinha medo de enfrentar o Brasil. Aliás, quem deu toda a impressão de ter medo da Bélgica foi o Brasil, especialmente no segundo tempo?.

Os outros jogadores belgas optaram por um discurso mais leve.

Falando em bom português, Mpenza disse que a sua equipe levou azar.

?Jogamos melhor que o Brasil no segundo tempo e justamente nesse período é que acabamos sofrendo os dois gols que nos tiraram da Copa. Uma pena que tenha sido assim, mas futebol é isso. Especialmente quando se joga contra uma equipe poderosa, como é o Brasil?.

Outros, como Van Buyten, levaram até lembranças da Seleção Brasileira. Verheyen nem sabe a razão, mas foi aplaudido pelos jogadores brasileiros quando as duas equipes voltaram para o vestiário, ao final da partida. Mais surpresa ainda foi a atenção de Ronaldinho, o Fenômeno, que fez questão de oferecer a sua camisa brasileira. ?Ele me chamou no vestiário brasileiro e disse para eu ficar com a camisa dele. Não sei exatamente a razão, mas saio impressionado com o comportamento de todos os jogadores brasileiros em campo?.