A Volkswagen confirmou ontem que pretende demitir de 4 mil a 6 mil trabalhadores no Brasil até 2008. A montadora anunciou um plano de reestruturação há um mês e meio, mas vinha omitindo o número oficial de cortes previstos. Amanhã, às 8 horas, representantes da empresa e dos sindicatos de metalúrgicos do ABC, Taubaté (SP) e São Carlos (SP) e de São José dos Pinhais (PR) se reúnem para iniciar negociações. A Volks quer concluir as discussões até o dia 30, pois tem pressa em iniciar o programa que inclui ainda corte de 25% no custo produtivo, com redução de benefícios trabalhistas

"Está provado que falávamos a verdade", reagiu o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopes Feijóo. Desde o início ele afirmavam, com base em informações da própria empresa que seriam 5.773 baixas nas fábricas de São Bernardo do Campo, Taubaté e Paraná, 25% do quadro atual. Em maio, o presidente da Volks, Hans-Christian Maergner, chegou a dizer que o sindicato era "irresponsável" em divulgar números. Na reunião de amanhã, Feijóo espera no mínimo negociar a redução de cortes

Em documento entregue ontem, atendendo pedido feito pelos sindicalistas há uma semana, a Volks não descartou corte, ainda que pequeno, também na unidade de motores em São Carlos, antes fora do programa

No texto, a montadora afirma que as medidas de redução do efetivo estão condicionadas a diversos fatores externos e internos e têm por objetivo tornar os negócios do grupo rentáveis no País após oito anos consecutivos de prejuízos

"A cooperação das entidades de representação no sentido de firmarem acordo sobre a execução do plano de reestruturação exercerá importante influência na determinação do efetivo de pessoal, considerando que a existência de acordo colocará as unidades em condições de concorrer a novos investimentos", alertou o vice presidente de Recursos Humanos da Volks, Josef-Fidelis Senn

A Volks diz que, no fim deste ano ou início de 2007 as demissões podem atingir 1,8 mil funcionários da Anchieta, 900 do Paraná e 300 de Taubaté