A violência nos estádios brasileiros voltou a ser assunto no último fim de semana. Em São Paulo, houve briga entre palmeirenses e santistas no clássico pelo Campeonato Paulista. Já em Minas Gerais, a partida entre Vila Nova e Cruzeiro pelo Campeonato Mineiro precisou ser interrompida por causa de grave confronto entre torcedores e policiais.

Para o promotor Fernando Capez, que considera a violência nos estádios um fenômeno mundial, casos como esse são reflexo da impunidade. "A Polícia apenas dispersa os torcedores, enquanto deveria levá-los ao juizado de pequenas causas e proibi-los de assistirem aos jogos", diz Capez, que, em março, deixa o Ministério Público para assumir mandato de deputado estadual pelo PSDB. "Mas hoje a situação na Argentina e na Itália é pior que a do Brasil.

No clássico paulista, as brigas ocorrem nas redondezas do Palestra Itália. Segundo o major Albertim, do 23.º Batalhão da Polícia Militar, um dos responsáveis pela segurança fora do estádio, houve confusão nas ruas entre o Shopping West Plaza e o Palestra Itália. "Foram vários focos de investidas da torcida palmeirense contra santistas", diz.

Com a confusão, vidros de carros foram quebrados. Um torcedor chegou a ser ferido com uma garrafa. Para o major da PM, o estádio do Morumbi é mais indicado para partidas de duas torcidas rivais. "Aqui no Palestra Itália é pior. O acesso ao estádio é comum às duas torcidas", afirma Albertim.

No domingo, a PM divulgou a informação de que um torcedor havia sido ferido com um tiro na perna. Mas nesta segunda-feira o coordenador da Polícia Militar e responsável pela segurança dentro dos estádios, major Botelho, afirmou à Agência Estado que não houve disparo. "O rapaz, um torcedor do Santos de 26 anos, foi assaltado e depois foi a pé ao estádio. O médico do Pronto Socorro constatou que o ferimento na perna pode ter sido causado por uma barra de ferro ou algo perfurante", diz Botelho.