O chamado rio da integração nacional, o histórico e caudaloso São Francisco, cuja corrente desliza por 2,8 mil quilômetros desde as nascentes na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até desaguar no Oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe, em breve será objeto da maior obra de engenharia em execução no Brasil.
Trata-se do projeto de transposição de águas para garantir o abastecimento de rios e açudes da região Nordeste, nos períodos de seca. O projeto deve iniciar ainda este ano, e a garantia está na previsão de R$ 1 bilhão no orçamento geral da União.
O plano genérico da obra projeta a construção de dois canais, cada um com 700 quilômetros de extensão, 25 metros de largura e cinco de profundidade, dotados de um sistema de bombeamento da água para corrigir os desníveis existentes em todo o percurso. A última exigência a ser satisfeita para o início da construção é o relatório de impacto ambiental a ser fornecido pelo Ibama.
A idéia de transpor a água do São Francisco para os demais rios da imensa região por ele banhada vem de 1985, quando ainda existia o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). Hoje, o assunto é da alçada do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, entidade integrada por representantes da sociedade civil e dos três níveis de governo.
O custo final da obra está estimado em R$ 4,5 bilhões, mas os amplos benefícios serão auferidos por cerca de nove milhões de pessoas nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, em regiões gravemente afetadas pela seca.


