Flamengo e Vasco vão decidir hoje o título da Copa do Brasil e, de quebra, quem será o primeiro representante do Brasil na Taça Libertadores da América de 2007. O Rubro-Negro tem a vantagem: venceu a primeira partida por 2 a 0 e pode até perder por um gol de diferença para erguer a taça. Para o time cruzmaltino só resta arriscar: ou estraga a festa do rival e empurra a crise para a Gávea ou perderá o apoio da torcida pelo menos até o fim do ano. Por tudo isso, aliado à tradicional rivalidade entre os dois clubes, o clássico que será disputado, às 21h45, no Maracanã, será regido pela emoção e terá como pano de fundo o grito de "é campeão".

Vale lembrar que caso o Vasco supere o Flamengo por dois gols de diferença, o título será decidido em cobrança de pênaltis. Na véspera da decisão, os times seguiram o script: muito bate-papo entre atletas e comissão técnica, mistério em torno da escalação e nada de provocação ao rival.

De qualquer forma, o futebol carioca voltará a disputar a Libertadores. A última vez foi em 2002, representado pelo Flamengo, que faturou o troféu da Copa dos Campeões, em 2001. Em relação àquela competição internacional, a equipe rubro-negra fez campanha pífia: só venceu uma partida e acabou eliminada na primeira fase.

Num momento-chave, o Flamengo recorreu à fé. Dirigentes, jogadores e o técnico Ney Franco visitaram a Igreja de São Judas Tadeu, santo padroeiro do clube. "Pedimos proteção e agradecemos às vitórias conquistadas até agora", explicou o presidente Marcio Braga.

Para assegurar uma proteção extra, os atletas rubro-negros doaram as camisas da primeira partida da final, com a intenção de que sejam leiloadas, e levaram os uniformes do jogo de hoje para serem benzidos. Vale tudo antes de uma grande final. "Se Deus quiser, seremos campeões", disse o zagueiro Fernando, embalado pelo ato religioso.

Sobre a formação da equipe, silêncio total. Assim como no primeiro jogo, o Flamengo realizou um treino secreto no seu centro de treinamento, em Vargem Grande (zona oeste), onde fez os últimos ajustes táticos e treinou com exaustão cobrança de penalidades. A tendência, no entanto, é a de que o time mantenha o sistema 3-6-1.

Em São Januário, o oba-oba foi abolido. Diferente da semana passada, não houve DJ tocando funk, nem faixa estendida em provocação ao Flamengo, nem clima de festa. Somente sócios puderam acompanhar o último treinamento da equipe e com restrições.

Um grupo de cerca de 30 torcedores foi retirado por seguranças do clube das arquibancadas por uma razão banal: entoavam cantos de incentivo. Revoltados, eles gritaram o nome do ídolo Roberto Dinamite, inimigo do presidente Eurico Miranda. Depois disso, alguns foram agredidos com socos e pontapés.

O técnico Renato Gaúcho está confiante. Para ele, a seriedade norteou o trabalho da equipe. Com o famoso estilo boleiro, ele declarou: "Peço apenas que o time tenha a atitude que faltou no primeiro jogo da final. Acredito no poder de superação dos jogadores".