A VarigLog, ex-subsidiária de logística e transporte de cargas da Varig, que tem como acionista o fundo americano de investimentos Matlin Patterson, apresentou à 8ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, na noite de terça-feira – um dia após a homologação do lance feito pelo TGV – uma proposta de investimento de US$ 500 milhões pela operação integral da ex-controladora

A oferta, no entanto, só será efetivada caso o Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) não deposite até amanhã o sinal de US$ 75 milhões, do total de US$ 449 milhões do lance feito no leilão do último dia 8. Caso a organização de funcionários da Varig não consiga os recursos até amanhã, a proposta da VarigLog inclui um depósito imediato de US$ 20 milhões para atender à situação emergencial da companhia. Como contrapartida, teria uma garantia de que vai assumir as operações da ex-controladora, relata uma fonte da VarigLog

"O investimento será destinado a pagar despesas com arrendadoras de aviões, capital de giro, manutenção e folha de pagamento", afirma a fonte, acrescentando que o plano é manter inicialmente a Varig operando com uma frota de 30 aviões

De acordo com a fonte, o plano da VarigLog não foi feito em cima de uma eventual decretação de falência continuada da Varig. Esta hipótese chegou a ser estudada no fim de semana passado pela Justiça do Rio. Nesse caso, a Varig continuaria em funcionamento com um consórcio liderado pela estatal portuguesa de aviação TAP apoiando financeira e operacionalmente. No entanto, o presidente da TAP, Fernando Pinto, disse ontem que esse projeto não avançou, mas que continua "aguardando o que vai acontecer"

A OceanAir, que chegou a se cadastrar para fazer uma oferta no leilão da Varig, descartou ontem a possibilidade de uma nova investida caso o TGV não faça o depósito. Jório Dauster, membro do conselho do grupo Synergy, controlador da OceanAir, diz que está torcendo para uma solução para a Varig, mas disse que não há nenhuma iniciativa por parte da companhia do empresário German Efromovich. "As condições (da Varig) já foram examinadas. Não há nada que possamos fazer", afirmou Dauster

A VarigLog foi comprada pela Volo do Brasil em dezembro do ano passado por US$ 48,2 milhões. A Volo é um consórcio que tem como acionistas o fundo Matlin Patterson e os empresários brasileiros Marco Antonio Audi, Marco Hapfel e Luiz Gallo. A negociação, no entanto, só foi aprovada na semana passada, após uma disputa judicial. Isso porque a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) impôs uma série de exigências para a homologação da compra. Diante disso, a fonte da VarigLog ressalta que a oferta feita pela Varig também depende da aprovação da Anac. Em abril, a VarigLog havia feito uma proposta de US$ 350 milhões pela Varig, mas depois retirou a oferta