A Varig vai usar aviões da TAM para substituir os seus três MD-11 que serão devolvidos em junho para a GE Capital, e por isso não pretende fazer mais demissões até a fusão, informou o presidente da empresa, Alberto Fajerman. Ele confirmou, no entanto, 350 demissões esta semana em função de 13 aviões já devolvidos para a mesma empresa de arrendamento. “As demissões de agora são necessárias e haviam sido suspensas em abril, a pedido do governo, por 30 dias para a criação de uma metodologia junto aos sindicatos, o que foi feito”, afirmou Fajerman.

As três devoluções de junho, segundo Fajerman, não implicarão em demissões, porque as linhas atendidas pelo MD-11 (285 passageiros) serão mantidas por aviões A330 (228 lugares) da TAM . “Nenhum vôo internacional da Varig será cortado”, afirmou Fajerman.

Ele não explicou porém, como os aeronautas que operam aviões MD-11 serão treinados para os Airbus da TAM. “Não posso adiantar como faremos isso, mas o importante é que não vamos diminuir o número de horas voadas nas duas empresas, não vamos deixar de atender nenhuma das cidades que atendemos hoje”, disse Fajerman.

Os MD-11, que encerram a série de devoluções e portanto todos os contratos da Varig com a GE Capital, faziam as linhas para o Japão, Inglaterra, Alemanha, Nova York, Miami e Espanha. A partir de junho, essas rotas serão atendidas por quatro A330 da TAM. Duas dessas aeronaves estavam paradas na China, à espera de uma joint-venture com a China Air que não deu certo. As outras duas estavam subaproveitadas pela TAM no Brasil, segundo Fajerman.

Ele explicou que as demissões desta semana atingirão apenas aeronautas ? 100 pilotos e 250 comissários de bordo ?, que são os mais castigados com a devolução dos aviões. Os aeroviários, que trabalham em terra, também sofrerão baixas, mas apenas depois de finalizado o estudo para a fusão com a TAM, previsto por Fajerman para o final de maio.

“Estamos esperando o desenho da fusão para saber o tamanho da nova empresa, que com certeza será menor do que a atual e vai exigir demissões”, disse o executivo. Antes das negociações para a fusão, a Varig havia anunciado intenção de demitir 2 mil pessoas.

A presidente do Sindicato dos Aeronautas, Graziela Baggio, informou que vai notificar esta semana o Mistério do Trabalho e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre as demissões na Varig .

“Está se demitindo por conta da fusão, do compartilhamento de vôos? Temos que denunciar isso, e o Cade e o ministério precisam participar”, desabafou a sindicalista. Ela lembrou que os comitês criados há um mês pelo governo para estudar soluções para o setor aéreo brasileiro “ainda não deram sinal de vida”, e, enquanto isso, as empresas deveriam esperar para tomar medidas irreversíveis, como as demissões.

Na TAM, as 128 demissões que foram congeladas por 30 dias em abril ainda não foram retomadas. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, “não está decidido se vai ter ou não demissões, isso será decidido nos próximos dias”.