A Infraero, estatal que administra os aeroportos, vai questionar um ponto chave do edital de licitação da Varig: o não estabelecimento de um preço mínimo em todas as etapas do leilão de venda da companhia aérea. O questionamento, segundo a assessoria de imprensa do órgão, será feito diretamente ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio, responsável pelo processo de recuperação e venda da companhia

Segundo fontes ligadas ao negócio, os credores, em especial empresas estatais, chegaram a pensar em ingressar em juízo para forçar uma alteração do edital de leilão. "As consultorias jurídicas dos credores estão preocupadas em garantir a cobertura do débito", disse uma fonte

Durante a discussão, no entanto, o governo orientou as suas autarquias a não praticarem qualquer ato que colocasse em risco o leilão

"Não é intenção da Infraero e nem dos demais credores impedir a realização do leilão", garantiu ontem a assessoria da empresa. A Infraero disse ter tomado a iniciativa de questionar as regras do leilão preventivamente, por ser uma das maiores credoras da Varig

A estatal, como os demais credores, teme que não haja compradores na primeira rodada do leilão. Para a primeira rodada foi fixado um preço de US$ 700 milhões pelas operações domésticas da empresa ou US$ 860 milhões pela companhia inteira, excluindo as atividades comerciais

Como não há um preço mínimo na segunda rodada de negociações, a empresa poderia ser vendida por um "preço vil", segundo a Infraero. "É somente isso que queremos evitar", disse um assessor da estatal

Além disso, lembram os credores, o preço mínimo foi uma exigência dos credores em assembléia, quando se decidiu a realização do leilão. Segundo a Infraero, as condições do leilão foram negociadas diretamente pelo juiz com os credores