Empresário digno do nome tem acessos de urticária toda vez que desconfia de algum rumor sobre a tendência do governo baixar a tarifa de importação de produtos manufaturados. Na verdade, a informação de que o Ministério da Fazenda está propenso a reduzir de 35% para 10,5% a alíquota máxima de importação, é discutida pelo mercado há vários dias.

Líder da corporação industrial paulista, a mais poderosa do País, o empresário Paulo Skaf está entre os primeiros a manifestar discordância ante a intenção da Fazenda, tendo a seu favor a opinião dos ministros Celso Amorim e Luiz Fernando Furlan, das Relações Exteriores e Desenvolvimento Econômico, respectivamente.

Skaf vê prejuízo inevitável mesmo que a intenção não se concretize, porque seus reflexos serão sentidos no momento de fechar negócios com os fornecedores, principalmente, do mercado europeu. O alerta do presidente da Fiesp faz sentido à vista da necessidade de negociar vantagens para outros setores produtivos nacionais.

Caso o governo insista em alimentar a expectativa da redução da taxa de importação, Skaf reitera que não haverá nenhuma facilidade para os nossos produtos. A seu ver falta estratégia para conduzir o processo, pois o País não está em condições de conceder nada sem receber a devida compensação. Aliás, o empresário deixou isso bem claro em conversa com o ministro Antônio Palocci.

O ministro assegurou que nenhuma posição será anunciada sem antes ser discutida com o setor industrial, concordando com a tese da exigência de vantagens econômicas esperadas de países desenvolvidos, para a manutenção do equilíbrio das relações bilaterais.

A Fiesp quer também que a intenção do governo seja acompanhada por um estudo criterioso de todos os segmentos da indústria, para que em havendo a redução de alíquotas de importação a mesma aconteça em doses suportáveis e responsáveis. Nesse aspecto, o ministro Luiz Fernando Furlan busca serenar os ânimos revelando que a proposta em discussão, se houver, deverá ser implantada gradualmente em prazo não inferior a dez anos.

Furlan não abre mão da cláusula que torne obrigatória a obtenção de compensações efetivas por parte dos países industrializados, com os quais o Brasil e o Mercosul têm interesse em fazer negócios de compra e venda. Exemplo recentíssimo é a queda vertiginosa do superávit da balança comercial com a China, que poderá transformar-se em déficit em 2006.