Valorização do real prejudicou empréstimos do BNDES, estima Mantega

Rio ? Em 2005, os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social poderiam ter alcançado R$ 53 bilhões, em vez de R$ 47,1 bilhões, avaliou hoje (17), o presidente da instituição, Guido Mantega. O valor só não foi maior, segundo ele, por causa dos problemas observados nos setores agrícola e elétrico e à queda do dólar.

O banco aumentou muito o financiamento às exportações, mas a valorização do real causou perdas em dólares entre R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões, conforme explicou. "Foram R$ 3 bilhões na agricultura, uns R$ 2 bilhões pela questão cambial e mais R$ 1,5 bilhão do setor elétrico, o que totaliza R$ 6 bilhões a menos. Nós poderíamos ter feito R$ 53 bilhões (em desembolsos)", avaliou Mantega.

O diretor da Área Financeira, Carlos Kawal, complementou esclarecendo que se o BNDES tivesse liberado o mesmo valor em dólares às exportações, com uma taxa de câmbio estável, ele teria obtido um resultado nos desembolsos relativos a 2005 mais favorável, acrescido de no mínimo R$ 6 bilhões.

O presidente do BNDES observou, ainda, que o desempenho de janeiro de 2006, que mostra liberações de R$ 2,5 bilhões, com retração de 34% sobre o mesmo mês de 2004, "não sinaliza para uma tendência necessariamente. Pode ser um ponto fora da curva".

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