O publicitário Marcos Valério, que depõe, nesta terça-feira, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga denúncias de compra de votos no Congresso Nacional (CPI da Compra de Votos), afirmou que "levou um cano" de R$ 9 milhões do PSDB em 1998. Segundo ele, a dívida contraída pela campanha do então candidato a governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, foi de R$ 11 milhões.

Valério narrou que teria recebido como pagamento apenas R$ 2 milhões, o que resultaria, então, na dívida de R$ 9 milhões. Azeredo atualmente é senador e presidente nacional do PSDB. Questionado sobre os motivos que o levaram a não cobrar a dívida do PSDB, o publicitário afirmou: "Vamos ser sinceros, eu não ia brigar com o governo federal na época". Em 1998, o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

Os empréstimos, segundo Valério, teriam sido negociados com o atual vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade, que à época presidia o PFL mineiro e era candidato a vice na chapa de Azeredo. Andrade é ex-sócio do publicitário e ele afirma que seria essa a razão para ter realizado os empréstimos. Valério não detalhou a origem dos recursos que foram repassados à campanha de Azeredo.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o presidente do PSDB afirmou que não vai comentar as novas declarações, porque já as teria esclarecido em sua defesa voluntária entregue à CPI dos Correios no dia 2 de agosto. Na ocasião, Azeredo admitiu que seu tesoureiro, Cláudio Mourão, não declarou todos os recursos para as campanhas para deputados na chapa majoritária.

Segundo o senador, Mourão pediu apoio financeiro da SMP&B, empresa de Valério, a candidatos a deputado. Ele não teria incluído as despesas na conta da campanha majoritária (de Eduardo Azeredo) por entender que as contas deveriam ser prestadas pelos parlamentares.