Depois da faxina que levou à expulsão de alguns dos seus quadros principais, inclusive o afastamento do presidente nacional da sigla, Ricardo Berzoini, o PT deve punir agora Valdebran Padilha. Empreiteiro e tesoureiro da campanha do partido à prefeitura de Cuiabá em 2004, Valdebran foi preso pela Polícia Federal, na madrugada de 15 de setembro em um hotel de São Paulo com parte do dinheiro que o PT usaria para comprar o dossiê Vedoin.

"A expulsão de Valdebran Padilha é uma realidade", declarou Jairo Rocha, presidente do PT na capital do Mato Grosso. "Não tem outra saída a não ser a sua exclusão.

O dirigente petista avalia que Valdebran fez parte de uma ação que "prejudicou gravemente as campanhas do PT" e, principalmente fez ruir o processo de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno.

Para Rocha, a trama do dossiê é obra de ‘um bando de loucos’. Ele anotou que os envolvidos iriam pagar ‘uma fortuna’ por um material sem peso político – seis fotografias, uma fita de vídeo e um DVD com imagens de José Serra, governador eleito de São Paulo, numa cerimônia de entrega de ambulâncias em maio de 2001, em Cuiabá. O empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia das sanguessugas, gastou R$ 200 para montar o dossiê.

"Foi um plano idiota, mal organizado, irresponsável", define Jairo Rocha.

Valdebran será ouvido ainda esta semana pela Comissão de Ética do partido. Ele é ligado ao grupo de José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula. "Eles (a ala de Dirceu) são minoria aqui em Cuiabá, esse povo nunca veio aqui", alfinetou Rocha.