Se o Palácio Iguaçu reconhece ou não o aumento do pedágio nas estradas paranaenses, isso já não tem importância. O não-reconhecimento pode ser apenas uma tática. Não interessa muito também o que pensa a Justiça sobre o caso. Ela está sendo cada vez mais invocada para resolver uma pendenga que deveria ser decidida na mesa de conversações e seu pronunciamento tem a ver com questões meramente formais dos contratos. O fato é que o pedágio está caro demais e, a continuar assim, em vez de significar uma contribuição a mais ao transeunte, plausível para a manutenção de um patrimônio já pago muitas vezes, representa um roubo à luz do dia.

O que acaba de acontecer, bem às vésperas das festas de Natal e Ano Novo, é ainda mais inconcebível: as concessionárias, entendendo o contrato que mantêm com o governo do Estado auto-aplicável, alteraram os valores cobrados no exato momento em que as pessoas se preparavam para viajar. Com isso, elas obtêm uma renda extraordinária, aproveitando-se de movimentação acima do normal, enquanto os cidadãos sofrem um desencaixe inesperado.

Legal ou ilegal – é este o dilema invocado pelo governo do Estado, que, assim, procurou sair de escanteio das discussões e, naturalmente, das críticas -, o reajuste dos pedágios deveria ser precedido de avisos e advertências, como ocorre com outras tarifas administradas pelo poder público. Mas, não tomando partido, o governo, além de descumprir com suas obrigações perante os cidadãos, reconhece uma tirania que é exercida por alguém que lhe deve submissão contratual, já que é o poder concedente.

O curioso é que, embora não reconhecendo o aumento (e isso é feito de forma pública), o governo não se digna a tomar medidas que seriam naturais em circunstâncias semelhantes. Se ele, que tem o poder, nada faz, autoriza assim os cidadãos a fazerem o que lhes der na telha – coisas que poderiam muito bem ir além de um simples bloqueio ou paralisação das estradas pedagiadas.

Está evidente, entretanto, que o governo que cumpre seus últimos dias está perdido e sem ânimo para manter a ordem. E que remete o assunto para o próximo governo, ainda sem condições reais de agir. Embora isso não configure uma situação recomendável, é para o governador eleito Roberto Requião, pois, que devem ser dirigidas as atenções, porque ele, durante a campanha eleitoral, prometeu resolver o problema do pedágio – se não rompendo contratos, pelo menos revisando os acordos que reconhece não atender aos interesses dos paranaenses.

Que tais interesses continuam desprezados, a prova aí está com esse aumento de tarifas instituído à revelia de tudo e de todos, e contra o qual ninguém tem coragem ou autoridade de se insurgir. Nossas estradas não são bem privado de ninguém, é isso que precisa ficar claro. A coisa não deve e não pode continuar assim.