A previdência privada está entre os negócios em franca expansão da atualidade e, para comprovar a afirmação, fontes do setor revelaram que o mesmo é detentor de patrimônio da ordem de R$ 100 bilhões. O magnífico salto é proveniente do excelente conceito e da popularização alcançados pelos planos de previdência privada este ano.

O exercício próximo do encerramento foi dos mais pródigos para o setor, após um período de vacas magras em termos de captação de planos, tendo em vista uma série de regras tributárias que afastou os virtuais interessados. Os níveis de captação voltaram a crescer em 2006 e os especialistas acreditam na superação do recorde registrado em 2004, quando o setor festejou o ingresso de R$ 9,79 bilhões em novos contratos.

A procura crescente pela previdência privada assinala o temor de parte saliente da População Economicamente Ativa (PEA), em relação à seguridade proporcionada pela previdência pública, sempre marcada pela ineficiência e acréscimos ao enorme déficit financeiro, além do enervante atraso e constantes modificações nas regras de concessão dos benefícios.

Em 2006, até novembro, o volume de captação de planos de previdência atingiu R$ 8,13 bilhões. Os cálculos indicam que no final do mês, quando se esgota o prazo para recolhimento no chamado Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL), para dedução no Imposto de Renda no ano-base de 2007, o setor deva receber em torno de 25% da captação anual. Assim, a Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp) espera que os depósitos líquidos ultrapassem R$ 10 bilhões, com a quebra do recorde de 2004.

Entre 2001 e 2006, segundo contas feitas por uma consultoria especializada que prestou serviços à Anapp, o patrimônio setorial cresceu em média 33,3% ao ano. O comparativo com os fundos de investimento mostra que eles cresceram, no mesmo período, na proporção anual de 17,2%.

Afinal, os PGBLs se transformam em boas opções de investimento e muita gente passou a dar preferência a esse tipo de aplicação de recursos disponíveis, visando a formação de poupança para o futuro, nesse caso a aposentadoria complementar. A tendência é favorável ao aumento do fluxo de dinheiro aplicado em fundos de investimentos para a previdência privada, o que respalda o ritmo de crescimento nos anos seguintes.

Conforme explicou Eduardo Bom Ângelo, presidente da Brasilprev, ao jornal Valor Econômico, os investidores estão convencidos da vantagem de abrir mão da liquidez em parte das aplicações para obter condições tributárias e rendimentos melhores no longo prazo. Os planos mais baratos, que cobram taxa anual de administração de até 2%, passaram a responder por 56% dos aportes deste ano, quando em 2004 representaram apenas 31% das captações. Com a continuidade da queda dos juros, o setor espera prosseguir se expandindo de maneira bastante segura, tornando mais atraentes as taxas de administração.

Nicho freqüentado por gigantes do setor bancário e companhias seguradoras, a previdência privada é uma experiência bem-sucedida que veio para ficar. Novas vantagens estão em estudo, uma delas, a probabilidade de obter empréstimos para a compra de imóvel próprio com a garantia dos recursos em previdência, será fator potencial para aumentar o índice de crescimento do setor, no qual, historicamente, o governo só tem acumulado fracassos.