A Procuradoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) recorreu hoje ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, pedindo a cassação da liminar concedida pela Justiça Federal, que proibiu a reserva de 20% de vagas para afro-descendentes e alunos oriundos de escolas públicas. Ao mesmo tempo, o reitor Carlos Augusto Moreira Júnior foi a Brasília discutir a questão com o Ministério da Educação.

O reitor disse que alguma reação à atitude da universidade estava sendo esperada. "Só não esperava neste momento, entre as duas fases do vestibular." O resultado da 1ª fase foi divulgado segunda-feira. Das 44.727 pessoas (2.370 optaram pelas cotas para negros e 13.795 pelas de escolas públicas) que se inscreveram para o vestibular, 16.199 estão aptos a participar da 2ª fase nos dias 19 e 20.

A UFPR está oferecendo 4.144 vagas, das quais 831 para negros e 831 para egressos de escolas públicas. A universidade alerta os vestibulandos que a decisão da Justiça Federal, mesmo referendada em instâncias superiores, não altera em nada o vestibular. "Os candidatos têm que continuar estudando, sem se preocupar com as questões jurídicas", afirmou. Essa questão influenciará a lista de aprovados.

Segundo Moreira Júnior, os artigos 206 e 207 da Constituição garantem autonomia universitária para determinar as cotas. "Se a universidade pública não pode ter ações para democratizar o ensino superior então vamos ficar eternamente nessa situação de marasmo, em que há uma grande faixa da população marginalizada. E eu não posso concordar com isso", registrou.