Tríplice Fronteira acusada de financiar o terrorismo

O promotor distrital de Manhattan, Robert Morgenthau, negocia um acordo que deverá resultar na imposição de pesada multa ao Bank of America por suposta participação num esquema de lavagem de US$ 3 bilhões de fundos oriundos da região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai e destinados a contas em bancos em Riad, na Arábia Saudita, Beirute, no Líbano, e Hamallah, nos territórios palestinos. Os beneficiários teriam sido três entidades que figuram na lista de organizações terroristas do governo americano: a Al-Qaeda, o Hamas, que hoje governa os territórios palestinos, e o Hezbollah, que é um partido político reconhecido no Líbano. A assessoria de Morgenthau disse hoje ao Grupo Estado que não tinha comentários a fazer sobre a informação, que foi atribuída "a fontes familiarizadas com o caso" pela edição online do tablóide New York Post.

Segundo o NYPost, a conta do Bank of America usada para a transferência do dinheiro já foi fechada. "Não posso sair e prender (Osama) bin Laden, mas posso interromper seu suprimento de dinheiro", disse Morgenthau ao jornal nova-iorquino. Sempre segundo o NYPost, o inquérito começou em 2004 a partir de uma investigação de operações de lavagem de dinheiro detectadas na Bacon Hill Services Corp., firma nova-iorquina usada por doleiros e citada no escândalo do Banestado. A firma uruguaia Lespan foi citada também como intermediária no esquema de transferência do dinheiro da América do Sul para o Oriente Médio

Segundo fontes oficiais brasileiras, o governo abandonou tempos atrás sua postura de simplesmente negar conhecimento de possíveis atividades de financiamento de grupos terroristas na parte de que lhe cabe a Tríplice Fronteira citadas com freqüência por representantes dos EUA e passou a pedir informações cada vez que porta-vozes civis ou militares de Washington mencionam a ameaça potencial de atividades terroristas na região, onde há uma importante presença de imigrantes de origem árabe. De acordo com as mesmas fontes, Brasília até hoje não recebeu nenhuma confirmação ou detalhes de Washington. É raro, nos EUA, que promotores se pronunciem antes de anunciar oficialmente o resultado de uma investigação.

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