Juram os principais executores da política tributária em vigor no País, uma das maiores do mundo e que suga todos os anos o produto de quatro meses de trabalho do contribuinte, que não houve aumento da carga tributária mesmo sem convencer os esmolambados mortais espalhados na planície.

A realidade é bem diferente e o aumento da carga tributária ocorreu não só no âmbito do governo federal, mas, sobretudo, de parte dos governos estaduais. Em 2005, estes lançaram as garras sobre 9,62% do Produto Interno Bruto (PIB), carreados para os cofres públicos na forma de impostos, tributos e taxas diversas, para não falar nas multas e correção monetária nos casos de atraso do recolhimento.

A União aumentou a carga de 25% para 26,18% do PIB no ano passado, mas atribuiu o feito ao melhor desempenho dos mecanismos de arrecadação da Receita Federal e a diminuição da sonegação. As secretarias estaduais da Fazenda apostaram nas mesmas fichas, louvando a ação prestativa dos zelosos cobradores de impostos.

Com mais dinheiro no cofre é difícil crer que os governos tenham feito tão pouco em termos dos projetos sociais em benefício da população que mais necessita da gestão pública, a fim de resolver problemas de emprego, saúde, educação, moradia, saneamento, para ficar na periferia das agruras dos brasileiros etiquetados como excluídos da distribuição da riqueza. É isso que se chama de Belíndia: os impostos são os da Bélgica, mas o retorno social nem se compara ao da Índia.