Três maiores bancos do País detêm 49% dos depósitos

Metade de todo dinheiro depositado no sistema bancário brasileiro – cerca de R$ 730 bilhões – está nas mãos de apenas três grandes instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco e Itaú, que lucraram em 2006 R$ 15,4 bilhões. Juntas, elas também são responsáveis por 42,6% do total de ativos do setor no País, hoje calculado em US$ 847 bilhões, segundo levantamento feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo pela agência de classificação de risco Austin Rating.

De acordo com o estudo, de dezembro de 1994 para cá, a participação desses três bancos nos depósitos totais (à vista, a prazo, poupança e depósitos interbancários) cresceu 12,5 pontos porcentuais e a dos ativos, 6 pontos. Números que evidenciam um aumento da concentração bancária no Brasil no período e, para muitos, explicam as elevadas taxas de juros e a quantidade cada vez maior de novas tarifas cobradas pelos bancos. Aliás, o setor está sob investigação da Secretaria de Acompanhamento Econômico e Secretaria de Defesa Econômica, do Ministério da Justiça, por causa desses dois fatores. Sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo instaurou investigação para verificar se há abuso por parte das instituições na cobrança de tarifas e juros.

Alguns especialistas acreditam que esses problemas são resultado da falta de competição no setor, que deve continuar em processo de concentração nos próximos anos, especialmente com a venda do ABN Amro no exterior. ?Cada vez mais a tendência é ter poucos e grandes grupos no mercado, mais poderosos e com lucros ainda maiores?, observa o presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues. ?O aumento de participação no setor vai aumentar os ganhos de escala. Conseqüentemente, os bancos vão ganhar eficiência e elevar seus lucros.? A dúvida, no entanto, está relacionada aos resultados para os consumidores. ?Será que os bancos vão repassar os ganhos de escala aos seus clientes??, indaga o consultor Carlos Coradi, presidente da EFC – Engenheiros Financeiros & Consultores e autor do livro História das Instituições Financeiras no Brasil.

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