A primeira mulher eleita presidente do Chile, Michelle Bachelet, toma posse amanhã (11) em cerimônia no Congresso chileno, na cidade de Valparaíso. A socialista da frente partidária Concertación venceu em segundo turno, no dia 15 de janeiro, o empresário Sebastian Piñera, da coalização de centro-direita Alianza por Chile. Mais de 3,7 milhões de chilenos votaram em Michelle Bachelet, que venceu com 53,49% do total.

A frente partidária Concertación, coalizão de centro-esquerda, está no poder desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990. Bachelet, no entanto, será a primeira presidente da Concertación que terá maioria no Congresso. Ela fica no poder até 2010.

Médica e divorciada, Bachelet foi ministra da Saúde e da Defesa do presidente Ricardo Lagos, de quem receberá o comando do país. A presidente eleita diferencia-se por ter sido perseguida pela ditadura de Pinochet. O pai de Bachelet, general Alberto Bachelet ? que participou do governo de Salvador Allende ?, foi torturado e morreu vítima da ditadura chilena. Ela e sua mãe chegaram a ser presas, torturadas e viveram exiladas na Austrália e na Alemanha.

Durante a campanha eleitoral, Michelle Bachelet prometeu reduzir a desigualdade social no país. Nesse aspecto, a realidade do Chile é semelhante a do Brasil. O coeficiente de Gini brasileiro é 0,59 e o chileno, 0,57, segundo o relatório de desenvolvimento da ONU de 2005. O coeficiente é utilizado para medir desigualdade social nos países. A referência para o país mais desigual é um e para o menos desigual é zero.

Bachelet promete criar dois novos ministérios no seu governo: de Segurança Pública e de Meio Ambiente. A socialista, que já anunciou sua equipe, terá um governo equilibrado. Dos 20 ministros nomeados, dez são mulheres.