A TIM Brasil está oficialmente à venda. O presidente da empresa, Mario Cesar Pereira de Araujo, disse ontem ter recebido duas propostas "não solicitadas" de compra da operação brasileira. Na Itália, o grupo informou que tem autorização da administração para negociar a subsidiária brasileira. De acordo com a agência Dow Jones, o comunicado da TIM afirmava que a venda da unidade TIM Brasil poderia dar a estabilidade financeira que a companhia precisa, além de permitir o foco no mercado europeu e garantir recursos para o projeto de construção da rede de nova geração em seu país de origem.

A operadora italiana não divulgou quais seriam os interessados. Um deles, no entanto, seria a América Móvel, dona da Claro, que pertence ao mexicano Carlos Slim Helú, que também controla a Embratel. A Claro é a terceira maior operadora celular do País. Segundo fontes próximas da empresa, a outra seria a Brasil Telecom, em parceria com a Telefônica. A operadora espanhola é a principal concorrente do grupo Telmex/América Móvil na América Latina. A proposta apresentada por ela incluiria a compra da participação minoritária da Telecom Italia na Brasil Telecom.

A regulamentação do setor não permite que a mesma empresa controle duas concessionárias de telefonia fixa. A participação da Telefônica, que já tem concessão para São Paulo, ficaria, no entanto, abaixo de 19,9%, não constituindo controle. Mesmo com a TIM, os espanhóis continuariam interessados em comprar a participação de 50% que a Portugal Telecom tem na joint venture Vivo, maior operadora celular do País. Segundo uma fonte do mercado, a oferta da Brasil Telecom foi uma reação à proposta apresentada pelos mexicanos. Controlada por fundos de pensão e pelo Citigroup, a Brasil Telecom há pouco tempo era alvo de aquisição dos italianos.

A Brasil Telecom também teria discutido uma parceria com a Telemar. A operadora brasileira, no entanto, estaria com as atenções voltadas para a sua própria reestruturação societária, que deve ser discutida em assembléia no próximo dia 13. Caso seus acionistas aprovem a reestruturação, com migração para o Novo Mercado, a Telemar se tornaria consolidadora, com capacidade de comprar outras empresas. Caso não aprovem, a empresa voltaria a ser colocada à venda.

A orientação que Araujo recebeu direto da Itália foi de seguir normalmente com as operações e o planejamento para o País. Por enquanto, não há nenhuma alteração de planos ou paralisação de orçamento. O executivo disse que não foi informado a respeito de quem seriam os proponentes. Segundo ele, Carlo Buora, vice-presidente do conselho executivo da matriz Telecom Italia, limitou-se a dizer que gostaria de mantê-lo informado a respeito do assunto e, por isso, havia ligado. Araujo disse que o conselho da matriz recebeu autorização para avaliar essas propostas, mas não informou quanto tempo essa análise poderia durar.

A TIM está muito próxima de roubar a liderança da Vivo no mercado de telefonia móvel. Embora a Vivo ainda tenha 4,6 milhões de clientes a mais do que o grupo italiano, ou uma vantagem de 19,2%, o faturamento de serviços de telecomunicações da TIM está praticamente igualado ao da Vivo, conforme apontam os balanços do terceiro trimestre. A Vivo fechou setembro com 28,7 milhões de assinantes e a empresa italiana, com 24,1 milhões.

A receita líquida de serviços de telecomunicações da TIM alcançou R$ 2,392 bilhões, entre julho e setembro, enquanto a da Vivo atingiu R$ 2,467 bilhões. A diferença é de apenas 3,1%. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, a diferença ainda é vantajosa para a Vivo: R$ 6,913 bilhões ante R$ 6,195 bilhões dos italianos. Mas o desempenho dos três últimos meses aponta que a TIM avança, rapidamente, sobre a liderança da Vivo. A TIM registrou lucro líquido de R$ 20,345 milhões no terceiro trimestre, ante prejuízo de R$ 308,402 milhões no mesmo período de 2005.

A aquisição da TIM por um grande grupo de telefonia deve dar a largada para a consolidação na telefonia celular, tão aguardada no Brasil dado o elevado nível de competição entre as companhias. A empresa, por sua base de usuários e receita, seria uma diferença quase definitiva na disputa pelo topo da lista do setor móvel no País.