O agricultor C.P.C., testemunha ocular do assassinato da missionária Dorothy Stang, ficou frente a frente e reconheceu hoje Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, e Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, como autores do crime. No reconhecimento ele também identificou o capataz Amair Feijoli da Cunha, suposto intermediário da morte, como o homem conhecido por Tato na região de Anapu, SP.

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Nas duas horas de depoimento prestado no fórum cível de Belém, ao juiz da comarca de Pacajá, Lucas do Carmo de Jesus, a testemunha reafirmou suas declarações prestadas durante o inquérito policial. C.P.C não titubeou ao reconhecer Fogoió como o autor dos disparos que mataram irmã Dorothy, no dia 12 de fevereiro.

Atendido pelo Programa de Proteção às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita) do governo federal em parceria com o estadual, C.P.C., chegou ao local do depoimento sob forte escolta de policiais civis e militares. Ele cobria a cabeça com um capuz e usava colete à prova de balas. "Preferi tomar o depoimento em Belém por motivo de segurança", explicou Lucas de Jesus.

Segundo o juiz, a testemunha é considerada importante para o processo, porque teria chegado ao local do crime quando a missionária ainda conversava com seus assassinos e teria visto, escondida na mata, Dorothy ser morta por Fogoió.

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Testemunhas

Na quarta-feira(23), no fórum de Pacajá, no sudoeste paraense, serão ouvidas seis testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público. Lucas de Jesus disse que pretende ouvir todas em um dia. Na quinta-feira será a vez das testemunhas de defesa. Apenas cinco foram arroladas: quatro apontadas pelo advogado de Amair Feijoli da Cunha e uma pela defesa de Clodoaldo Batista. Rayfran das Neves não arrolou testemunha.

Até o final da próxima semana, de acordo com cálculos do juiz, ele deve finalizar a oitiva de todas as testemunhas. Depois disso, abrirá prazo para o Ministério Público e a defesa apresentarem as alegações finais, peça processual em que pedem a pronúncia e impronúncia dos acusados. Ao final, o juiz avaliará as provas do processo e decidirá se levará ou não o caso para o Tribunal do Júri. Há possibilidade de o crime ser julgado ainda neste primeiro semestre.

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Bida

O advogado Augusto Septímio, defensor do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, acusado pelos dois matadores de ser o mandante da morte da freira, anunciou, ao final do depoimento de C.P.C., que seu cliente vai se apresentar à Justiça no dia 29, quando será ouvido em depoimento no fórum de Pacajá. Ele evitou dizer aos jornalistas se tem mantido contato com o fazendeiro.

"O meu cliente se sente seguro, porque nos depoimentos dos outros acusados o nome dele só foi especulado", resumiu Septímio.