Desempregado, como é de hábito entre milhões de brasileiros, resolveu criar uma pequena empresa tendo o cuidado de não pedir apoio ao Sebrae, o que lhe daria o direito de afundar no primeiro ano de funcionamento por conta própria.

Já definidos os lances de sonegação dos 47 impostos, como cabe a qualquer um que se arrisque a ser empresário na pátria amada hoje em dia, decidiu qual o ramo de atividade de sua empresa: iria constituir um grupo de terrorismo nos molde da Al Qaeda, sem barba e sem turbante.

Inicialmente pensou que Brasília seria o lugar ideal para o funcionamento da célula mas logo se deu conta de que existem já muitos terroristas na Capital, reunidos numa estrutura chamada Congresso e bem remunerada por cima. Lá, ninguém explodiria por conta de coisa alguma. O máximo seria traques e bombinhas por conta de verbas e contra CPIs.

Imaginou ns cidades. Mas percebeu que as Faculdades de Economia produzem milhares de terroristas por ano, que fazem previsões explosivas sobre qualquer coisa, além de analistas de mercado e cientistas políticos. Catastrofistas do terrorismo, agem em todas as áreas do conhecimento humano.

Então, pensou, o negócio era recrutar candidatos pelos jornais. Botou lá um anúncio:

CURSO DE TERRORISMO EM 10 LIÇÕES

Aprenda a explodir com rapidez

VAGAS LIMITADAS

Ele acreditava nuns 10 ou 20 alunos no máximo. Apareceram 18.000 candidatos às vagas. Chegou a cogitar em explodir as filhas imensas que rodeavam quarteirões, atrapalhavam o trânsito e faziam a delícia de vendedores de sanduíches, churrasquinhos, pipocas e refrescos. Pensou em fazer isso só para treinar o equipamento que recebera do Afeganistão, mas desistiu. Para que gastar explosivo?

A primeira lição era como amarrar as bananas de dinamite no corpo, na altura do peito e disfarçar o detonador num bolso.

Aquele pensamento de que, morrendo, iriam para um Céu, onde teriam disponíveis e sem compromissos 70 virgens cada um, não empolgou os alunos.

As 70 virgens, tudo bem. Agora explodir sabendo que explodiria tudo, inclusive da barriga pra baixo, não comovia ninguém.

Começou a observar que na fila de candidatos apareciam advogados, engenheiros, arquitetos, dentistas, professores universitários; muita gente de curso superior desempregada.

Na primeira reunião feita com o grupo selecionado percebeu que a causa terrorista era justa, principalmente no que tangia a explodir a classe dos políticos, começando pelo Zé Dirceu e Palocci. Ninguém cogitou de explodir o Lula já que um senso comum indicava que ele iria explodir sozinho de tanto comer buchada de bode e falar tonterias em público como dizer que a mãe dele nasceu analfabeta já que, de resto, todas as mães nascem analfabetas.

As missões terroristas, obviamente, deveriam ser cumpridas. Na hora de distribuir explosivos e detonadores, ele descobriu entre o grupo:

1- Alguns não poderiam ir por causa de um jogo de futebol, imperdível;

2- Dois perguntaram se poderiam ser substituídos pela sogra e por um cunhado;

3- Outro achou que uma bomba explodindo no peito iria fazer mal à saúde;

4- Explodir uma BMW zerinho só porque tinha um cara no volante e outro no assento de trás era jogar fora um automóvel espetacular que poderia ficar pra ele, inteirinho;

5- Vários problemas surgiram com o grupo feminino de militantes que impôs condições participativas: não explodiriam antes de ir ao shopping, ao cabeleireiro, ao dentista, à loja de modas e nem entre 3 a 5 da tarde, horas reservadas para trair maridos, fora isso, tudo bem.

Dos amigos consultados sobre a novel empresa recebeu apoios do tipo “Estamos aí!”, “Qualquer coisa liga!”. “Disponha aqui do amigo!”. “Apareça pra conversar!”, etc. Tentou re-contatá-los e não achou nenhum. As frases formais eram, como de hábito, mentirosas. A turma queria mas era distância dele.

O impulso de abrir a Terrorismo Brasileiro Ltda, foi sendo minado pelas dificuldades, que começaram no registro da firma, com taxas, papéis, registros, tempo passando, despesas rolando, o escambáu.

Descobriu que sendo o Brasil um país já aterrorizado não haveria o que explodir por aqui.

Medidas terroristas, como o desemprego e o superávit primário, já vêm sendo tomadas oficialmente. Deu-se conta do incoercível impulso que os políticos têm, em geral, de aterrorizar uns aos outros. Viu que o Bin Laden ocidental se chama FMI. E conta, ainda com Al-Enkar, enviado de Alá por seu profeta Ita-Mar e que reza 5 vezes por dia com a cabeça voltada para o Palácio do Planalto, azucrinando Lula. Diante disso, aterrorizar o quê?

Então resolveu desistir da idéia de formar um núcleo terrorista no Brasil. Devolveu o equipamento bélico para o Afeganistão e vendeu os explosivos para uma fábrica de fogos de artifícios.

E foi criar camarão da Malásia.